Prisioneiros de guerra ou terroristas: quem são os palestinianos já libertados das prisões israelitas?

28 nov 2023, 22:00
Prisioneiros palestinianos (AP)

Dos mais de cinco mil detidos que estavam nas prisões israelitas, mais de mil não tinham qualquer tipo de acusação formal

Para Telavive são terroristas, na Palestina são vistos como prisioneiros de guerra. De qualquer modo são uma das peças centrais que viabilizou o acordo de tréguas entre Israel e o grupo armado que controla a Faixa de Gaza, que culminou num cessar-fogo temporário de seis dias. Os termos impostos pelo Hamas foram simples: pela libertação de cada refém israelita, três mártires do esforço bélico palestiniano têm de sair livremente das prisões israelitas. Mas quem são estas pessoas e como acabaram detidos em primeira instância?

Antes de ter sido estendido por mais dois dias, o acordo fixado entre as duas partes contemplava a troca de 150 prisioneiros palestinianos por 50 reféns israelitas. Telavive elaborou e divulgou uma lista com 300 nomes de detidos que poderiam ser libertados, o jornal britânico The Economist revela agora que quase todos são da Cisjordânia ou de Jerusalém Oriental, sendo que apenas cinco estão oficialmente registados como residentes da Faixa de Gaza.

Entre os 16 e 18 anos, do sexo masculino e alguns acusados por atirar pedras

Perto de 90% destes prisioneiros referenciados são adolescentes do sexo masculino com idades compreendidas entre os 16 e 18 anos, os outros, na sua maioria, são mulheres adultas.

Apenas 67 já foram efetivamente condenados, os restantes 233 continuam a aguardar julgamento. Mais de 200 vão ser processados por tribunais militares, porque todos os civis palestinianos, incluindo menores, podem ser processados neste tipo de tribunais. Algo que tem levado vários grupos de direitos humanos a expressar preocupações sobre as elevadas taxas de condenação, falta de apoio jurídico para estes palestinianos detidos e falta de condições nas prisões israelitas.

Representação dos prisioneiros palestinianos por sexo e idade (Fonte: The Economist)

Israel assegura que entre a lista de 300 prisioneiros palestinianos estão afiliados de grupos considerados como “terroristas” por alguns Estados, incluindo o Hamas e a Jihad Islâmica Palestiniana. Contudo, quase metade não tem qualquer tipo de ligação a nenhum destes grupos.

Os crimes pelos quais estão presos variam desde atirar pedras a agentes das autoridades israelitas até incidentes com impacto na estabilidade da segurança nacional israelita.

Ao contrário do que ocorreu em trocas de prisioneiros anteriores entre o Telavive e o Hamas, entre estes palestinianos nenhum foi condenado por homicídio.

Várias organizações não governamentais palestinianas, como a Addameer, estimam que antes dos ataques de 7 de outubro cerca de 5.200 detidos estavam nas prisões israelitas, destes mais de 1.200 estão sob “detenção administrativa”, o que significa que estão detidos sem qualquer tipo de acusação formal.

Representação estatísticas espelha o aumento do número de "detenções administrativas" (Fonte: Addameer)

O número de prisioneiros palestinianos aumentou drasticamente desde 7 de outubro, a Addameer estima que o número de detidos nas prisões israelitas já rondava os sete mil a 6 novembro: 2.070 detidos administrativos, 200 menores, 62 mulheres, 432 com penas superiores a 25 anos, 40 com penas superiores a 25 anos e 559 sob prisão perpétua.

Estimativa do número atual de detidos nas prisões israelitas a seis de novembro (Fonte: Addameer)

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