“Para os multimilionários, a pandemia foi incrível". Fortunas cresceram 5 biliões de dólares

CNN , Anna Cooban
29 jan, 11:00
Da esquerda para a direita, de cima para baixo: Warren Buffett, Mark Zuckerberg, Bill Gates, Elon Musk, Jeff Bezos, Steve Ballmer, Larry Ellison, Bernard Arnault, Sergey Brin, Larry Page.

Os multimilionários acrescentaram 5 biliões de dólares às suas fortunas, durante a pandemia, segundo a Oxfam, exacerbando a desigualdade económica, enquanto milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza, no mundo inteiro.

Recorrendo a dados recolhidos pela “Forbes”, a Oxfam diz num novo relatório que a riqueza total dos multimilionários passou de 8,6 biliões de dólares em março de 2020 para 13,8 biliões em novembro de 2021, um aumento maior do que no total dos 14 anos anteriores. Os dez homens mais ricos do mundo viram a sua riqueza coletiva mais do que duplicar, aumentando 1,3 mil milhões de dólares por dia.  

O relatório foi divulgado antes da Agenda de Davos do Fórum Económico Mundial, realizada online devido à Ómicron. A Oxfam argumenta que os governos devem tributar os lucros obtidos pelos super-ricos durante a pandemia e usar esse dinheiro para financiar os sistemas de saúde, para pagar vacinas, combater a discriminação e lidar com a crise climática.

“Para os multimilionários, a pandemia foi incrível. Os bancos centrais injetaram biliões de dólares nos mercados financeiros para salvar a economia, mas grande parte desse dinheiro acabou por encher os bolsos dos multimilionários num boom dos mercados bolsistas”, disse Gabriela Bucher, diretora-executiva da Oxfam, num comunicado de imprensa.

A riqueza combinada dos dez maiores multimilionários, incluindo o CEO da Tesla Elon Musk e o fundador da Amazon Jeff Bezos, duplicou durante a pandemia e é agora seis vezes maior do que a riqueza dos 3,1 mil milhões de pessoas mais pobres do mundo, segundo o relatório.

“A desigualdade a este ritmo e escala está a acontecer por opção, não por acaso”, disse Bucher. “As nossas estruturas económicas não só nos deixaram menos seguros contra esta pandemia, como estão a permitir ativamente que aqueles que já são extremamente ricos e poderosos explorem esta crise em benefício próprio.”

A pandemia não foi o “grande equalizador” que alguns previram.

O Banco Mundial estima que 97 milhões de pessoas no mundo inteiro tenham ficado numa situação de pobreza extrema em 2020, e agora vivam com menos de 2 dólares por dia. O número dos mais pobres do mundo também aumentou pela primeira vez em mais de 20 anos.  

A desigualdade nas vacinas tornou-se uma questão importante, pois muitos dos países mais ricos do mundo acumulam doses, comprando doses suficientes para vacinar as suas populações várias vezes e falhando no cumprimento das promessas de partilhá-las com os países em vias de desenvolvimento.

Tem sido pedido aos multimilionários que usem a sua riqueza para ajudar os menos afortunados.

David Beasley, diretor do Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas, pediu aos multimilionários, incluindo Bezos e Musk, que “se cheguem à frente agora, de uma só vez” para ajudar a resolver a fome mundial em novembro.

O apelo recebeu uma resposta direta de Musk, que mais tarde disse no Twitter que, se a organização pudesse explicar “exatamente como” o financiamento resolveria o problema, ele “venderia ações da Tesla e faria isso agora mesmo”.

O CEO não respondeu publicamente quando a ONU divulgou um plano.

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