Portugal planeia duplicar capacidade do porto de Sines para ajudar países europeus dependentes do gás natural russo

29 abr, 16:46
Porto de Sines (Lusa/Tiago Canhoto)

Gás natural que pode chegar de Estados Unidos, Nigéria ou Trinidad e Tobago deve ser enviado de Portugal para a Alemanha

Portugal está a planear duplicar a capacidade do porto de Sines para receber navios-tanque de gás natural liquefeito e transferir depois o combustível para países europeus que tenham maior dependência do gás natural russo. A notícia está a ser avançada pela agência Reuters, que cita duas fontes ligadas ao processo.

Uma das fontes revelou que o plano que está a ser desenhado pelo Governo "prevê, a curto prazo, exportar mais de dois mil milhões de metros cúbicos de gás natural liquefeito através de Sines por ano e, em breve, aumentar essa exportação para cinco mil milhões, equivalente ao consumo de gás natural em Portugal".

Países da União Europeia como Alemanha, Bulgária ou República Checa são altamente dependentes do gás natural russo, ao passo que Portugal tem apenas 10% da sua energia proveniente daquela fonte.

O total do fornecimento russo de gás natural à União Europeia foi de cerca de 155 mil milhões de metros cúbicos em 2021, um número que Bruxelas pretende cortar para dois terços ainda este ano, começando uma agenda de menor dependência da Rússia em termos energéticos.

Ambas as fontes que falaram à agência Reuters indicam que, através de equipamento simples e de um investimento modesto, será possível para Sines começar a receber dois navios com gás natural liquefeitos por semana, ao contrário do que acontece agora, com apenas um navio a chegar àquele local.

Além disso, segundo uma das fontes, esta seria também uma oportunidade para que Portugal não gastasse dinheiro com aumento do armazenamento.

"É uma solução fácil e rápida. O Governo espera finalizar o estudo de viabilidade, o calendário de aplicação e as quantidades exatas muito em breve", referiu uma das fontes, adicionando que a Alemanha seria um dos destinos prováveis do gás natural.

O gás natural que passará pelo porto de Sines, o porto europeu com profundidade suficiente que está mais perto dos Estados Unidos, deverá vir de países como Estados Unidos, Nigéria ou Trinidad e Tobago.

A CNN Portugal contactou o Ministério do Ambiente, que referiu não saber nada sobre o assunto. No entanto, o porto de Sines tem estado no discurso dos governantes e tem sido apontado como uma oportunidade para diminuir a dependência do gás russo. No início deste mês, o ministro da Economia e do Mar António Costa e Silva afirmou que o porto de Sines pode tornar-se um centro de “tecnologias verdes e biocombustíveis para a Marinha e todas as forças que se movimentam no mar”, bem como um centro de importação de gás natural liquefeito (GNL).

Esta semana, foi a vez do primeiro-ministro António Costa voltar a trazer o assunto para discussão e frisar que a Europa não pode continuar dependente de um único fornecedor e, em particular, da Rússia. “Podemos ser um porto de acolhimento, de armazenamento e de transhipment de gás natural liquefeito, que pode vir das múltiplas rotas atlânticas e de múltiplas origens para outras regiões europeias”, afirmou o primeiro-ministro, citado pelo Diário de Notícias, na apresentação do MadoquaPower2X, um projeto de produção de hidrogénio verde e amónia verde.

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