Rússia bombardeou zona a apenas 25 quilómetros da fronteira da NATO. O que isto significa?

Henrique Magalhães Claudino , notícia atualizada às 8:44 com o número de vítimas
13 mar, 08:10

Ministro da Defesa ucraniano reagiu ao ataque, sublinhando que revela o perigo que se vive na fronteira entre a Ucrânia e a Polónia, Estado-membro da Nato. Governador de Lviv diz que o ataque fez 35 mortos e 134 feridos.

O Centro para a Manutenção da Paz e Segurança internacional em Yavoriv, perto da fronteira com a Polónia, foi bombardeado por militares russos, avançaram durante a madrugada autoridades militares da região de Lviv no Telegram. Este é um dos locais utilizados pelos instrutores da NATO para formar militares ucranianos.

De acordo com a publicação do chefe da autoridade, Maksym Kozytskyi, mais de 30 mísseis foram disparados contra esta base militar ucraniana, especializada em treino de soldados para missões de manutenção da paz.

 

 

 

Os ocupantes realizaram um ataque aéreo ao Centro Internacional para a Manutenção da Paz e Segurança. De acordo com informações preliminares, dispararam oito mísseis. Estão a ser recolhidas informações sobre as [potenciais] vítimas", disse o administrador regional de Lviv em comunicado no Telegram.

O ataque aéreo ocorreu por volta das 05:45 horas em Kiev (03:45 em Lisboa). Stepan Chuma, um profissional de saúde que foi chamado para o local, disse que toda a sua casa vibrou no momento dos bombardeamentos. "Até as minhas janelas vibraram, todo o céu iluminou-se com duas explosões". Chuma, que deu uma breve entrevista ao jornal The Guardian, disse que "várias pessoas ficaram feridas", mas até ao momento não há confirmação oficial de vítimas.

De acordo com a agência Reuters, que cita o governador de Lviv, o ataque fez 35 mortos e 134 feridos.

Algumas horas antes deste ataque, as sirenes voltaram a soar em Lviv, onde uma explosão terá sido ouvida a Leste da base militar. No Telegram, as autoridades militares explicaram que estas explosões foram resultado da ação das defesas antiaéreas ucranianas contra mísseis lançados pelas forças armadas russas.

“Todas as unidades militares estão em pleno funcionamentos, mais informações serão comunicadas pelo governador da região”, disse o vereador local Igor Zinkevych. Para além de Lviv, também Kherson e Ivano-Frankivsk registaram relatos de explosões.

Risco de conflito direto entre Moscovo e NATO

A escalada do conflito com o ocidente tornou-se mais clara este sábado, especialmente depois de a Rússia ter ameaçado destruir carregamentos de armas internacionais que cheguem à Ucrânia. Esse aviso, feito pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Ryabkov aumenta o risco de um conflito direto entre Moscovo e um país da NATO.

Aliados da Ucrânia, incluindo Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos, estão a enviar com urgência milhares de mísseis antitanque e antiaéreos para Kiev em resposta à agressão de Moscovo. Ryabkov disse que a Rússia "avisou os EUA  de que a entrega de armas que estão a organizar a partir de vários países não é apenas um movimento perigoso, é um ato que torna os comboios respetivos em alvos legítimos”, alertou Serguei Riabkov em entrevista este sábado ao jornal Canal de TV Pervy Kanal.

Serguei Riabkov afirmou também que as “garantias de segurança” pedidas pela Rússia ao Ocidente, incluindo a garantia de que a Ucrânia nunca ingressaria na NATO, deixaram de ser válidas. “A situação mudou completamente. A questão agora é meter em prática os objetivos dos nossos líderes”, disse, referindo-se à “desmilitarização” da Ucrânia pedida pelo Kremlin.

“Se os americanos estiverem dispostos, é claro que podemos retomar o diálogo”, acrescentou, especificando que Moscovo estava pronto, em particular, no que diz respeito aos acordos Start para limitar os arsenais nucleares. “Tudo depende de Washington”, disse.

Por outro lado, a base ucraniana bombardeada fica apenas a poucos quilómetros da fronteira com a NATO. Se as explosões atingissem território polaco, o Artigo 5.º do tratado é claro: "Um ataque contra um Estado-membro é um ataque contra todos os Estados-membros".

Numa primeira reação ao ataque, o ministro da Defesa ucraniano referiu que "este é um novo ataque terrorista à paz e segurança perto da fronteira com a União Europeia/Nato". No Twitter, o ministro voltou a pedir para que o espaço aéreo da Ucrânia fosse fechado.

 

 

No entanto, tanto a União Europeia, como os Estados Unidos e o Reino Unido continuam a rejeitar a hipótese e não avançam qualquer data para dar esse passo. A razão apresentada é: “A NATO é uma aliança defensiva".

 

 

 

Os ataques aéreos russos a esta base militar perto da cidade de Lviv, no noroeste, ocorrem ao mesmo tempo em que as forças russas estão a expandir a sua ofensiva no Oeste da Ucrânia. Na sexta-feira, os militares de Putin atacaram pela primeira vez aeroportos no extremo oeste do país, em Lutsk.

Rússia desenvolve ofensiva na zona Oeste da Ucrânia

Esse ataque provocou danos substanciais ao aeroporto, no noroeste da Ucrânia, a cerca de 110 quilómetros da fronteira com a Polónia. Em Volyn, também o governador da região disse que quatro mísseis aéreos foram disparados por militares russos, levando à morte de duas pessoas.

 

 

Ainda na sexta-feira, o aeródromo militar em Ivano-Frankivsk - onde hoje também foram ouvidas explosões -  foi atingido por mísseis. Lviv é um dos polos culturais da Ucrânia e o centro histórico da cidade é Património Mundial da UNESCO.

Lviv é, de momento, um ponto de passagem para milhares de pessoas a entrar na cidade para escaparem aos bombardeamentos e tentarem fugir para a União Europeia. De acordo com os números mais recentes, 1.675.000 pessoas já entraram na Polónia.

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