Nova massa de ar polar atinge Portugal na quinta-feira

8 jan, 17:24
Inverno (pexels)

Antes de baixarem as temperaturas mínimas ainda vão subir. A partir de quinta-feira é que o frio vai apertar e as temperaturas vão baixar para valores negativos, principalmente no norte e centro do país

Uma nova massa de ar polar vai atingir Portugal a partir de quinta-feira, confirmou à CNN Portugal Maria João Frada, meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

É certo que as temperaturas vão descer, mas, no imediato, até vão subir. “Amanhã dia 9 (terça-feira) vai haver uma subida dos valores da temperatura mínima. Subida essa que até vai ser significativa, na ordem de 3 a 5, 6 graus”, explica a meteorologista.

O país estava sobre a influência de uma massa de ar polar que “até esta madrugada deu origem a temperaturas muito baixas”, no entanto, a partir desta tarde, registou-se “uma mudança”, com “muita nebulosidade”, que está “associada à entrada de um ar tropical que vem do Atlântico”. E essa massa de ar tropical “mais quente e mais húmida” vai dar origem “a uma subida dos valores da temperatura mínima para amanhã [terça-feira]”. Na quarta-feira a previsão mantém-se e “não vai haver alteração significativa das temperaturas mínimas, podendo haver uma ligeira descida de 1 a 2 graus em alguns locais da região norte”.

Segundo Maria João Frada, a grande mudança surge “a partir do dia 11 [quinta-feira], em que vamos ter novamente a saída desta massa de ar mais quente, tropical e marítima, que vai ser substituída por uma massa de ar do interior do continente europeu, uma massa de ar muito fria". "Digamos que uma massa de ar polar.”

Como esta massa polar vem de nordeste irá atingir primeiro “o nordeste das montanhas da Beira Alta e depois chega a todo o território". Mas, sublinha a especialista, "os locais onde as temperaturas vão ser mais baixas serão os habituais: o interior norte e centro”.

Esta massa de ar que já está a afetar o continente europeu e que chega a Portugal dia 11 deverá ficar até sábado (dia 13). “Portanto, são dias em que de facto as temperaturas mínimas vão descer, vai haver, no dia 11, não só uma descida da temperatura mínima, mas também da máxima. De forma significativa. Entre três, seis, sete graus”, antecipa a meteorologista. Mas o dia mais frio será a sexta-feira, com uma nova descida dos valores. 

“Olhando para as temperaturas mínimas nas regiões do interior, no interior norte e centro, poderão rondar os - 4, - 6 em alguns locais” de forma pontual. “Já no litoral norte e centro as temperaturas irão variar entre os 2 graus positivos e os zero graus.”. Mais a sul do Cabo Mondego, “o litoral terá temperaturas mínimas entre os 3/4, sensivelmente, e os 5, 6, 7 da costa sul do Algarve. O restante interior tem temperaturas da ordem de zero a 2/3 graus”, clarifica.

Já as temperaturas máximas "vão andar entre os 10, 12 e 13 graus", podendo chegar aos 16 no Algarve. Já no interior norte e centro serão "inferiores a 10 graus e, muito provavelmente, inferiores a 7, 8 graus”.

Mas o vento que também deverá chegar dia 11 pode fazer uma grande diferença, “principalmente nas terras altas”. E, por isso, “o dia 11 vai ser um dia de uma sensação de frio acrescida, porque aumenta o desconforto térmico”. Este cenário permanece nos dias seguintes (12 e 13).

Só a “partir de dia 14 começamos a ter entrada, novamente, de massas atlânticas, tropicais atlânticas. E, provavelmente, com o regresso da precipitação e a subida das temperaturas mínimas”, indica Maria João Frada.

Há previsão de neve nos locais habituais também e isso pode afetar a circulação rodoviária, até em altitudes que rondam os 600 metros, 800 metros. “A acumulação de gelo, neve e formação de gelo e geada vai ser a nota dominante” para os próximos dias. “E depois a 14 começa tudo a melhorar”, conclui.

Massa de ar frio já atinge vários países da Europa

Esta massa de ar frio polar continental, com origem na Escandinávia, não vai afetar apenas Portugal. A descida das temperaturas vai abranger toda a Europa Central e os países do Leste Europeu.

Em Espanha, a agência meteorológica espanhola (Aemet) já emitiu mesmo um aviso à população para o frio e neve que se avizinham.

Segundo o jornal El País chamam-lhe um “episódio meteorológico de inverno” e deverá durar entre terça e quinta-feira. As previsões falam em frio, chuva e queda de neve. Todavia, a Aemet nem considera que o país vai enfrentar uma onda de frio, apesar de assumir que as temperaturas vão estar abaixo do que seria normal para a época.

E depois das cheias, o Reino Unido também se prepara para o frio. Aproxima-se uma frente polar com ventos muito fortes que deverão afetar o país até ao final da semana. Espera-se mesmo que sejam batidos recordes de temperaturas mínimas.

O frio extremo já está a provocar o caos nos países nórdicos e os fortes nevões têm causado filas de trânsito de dezenas de quilómetros, obrigaram a cortar ligações ferroviárias e já deixaram milhares de pessoas sem eletricidade na Suécia, Noruega e Dinamarca.

Saiba que cuidados deve ter em ondas de frio

Para enfrentar as temperaturas que se aproximam a Direção-Geral da Saúde deixa alguns conselhos, com medidas de proteção individual. 

Entre eles, evitar a exposição prolongada ao frio e mudanças bruscas de temperatura. Tal como utilizar várias camadas de roupa para manter o corpo quente e proteger as extremidades do corpo com gorros, luvas e meias quentes.

Além disso, a DGS refere que a hidratação é muito importante, seja através da ingestão de sopa ou bebidas quentes. Deve ser acautelada a prática de atividades no exterior e quem o fizer não pode esquecer o vestuário adequado, nem deixar de ter atenção às condições do piso para evitar quedas.

Mesmo quem estiver em casa deve agasalhar-se, manter os espaços quentes e garantir uma adequada renovação do ar, em particular se forem utilizados equipamentos de combustão.

E quem viajar de carro também deve ter atenção e adotar uma condução defensiva porque pode haver acumulação de gelo nas estradas.

Tal como no calor, também nas ondas de frio deve ser dada especial atenção às pessoas mais vulneráveis, reforçando todos os cuidados.

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