Pas-de-Calais: o que se sabe sobre as crianças que foram encontradas sujas e amarradas pelos pais

6 set, 11:41
Local onde um homem matou um polícia e a mulher

Charlotte Caubel, secretária de Estado da Criança, e Thierry Dran, procurador de Béthune, explicaram em conferência de imprensa os pormenores possíveis do caso

O caso das crianças, de dois e cinco anos, descobertas amarradas em cadeiras altas e sem higiene chocou França e deixou muitas perguntas no ar, sendo a principal como é que dez crianças (sendo algumas delas já adultas) tinham escapado ao radar das autoridades francesas. 

Em conferência de imprensa na câmara de Arras, Charlotte Caubel, secretária de Estado da Criança, e Thierry Dran, procurador-público de Béthune, explicaram aos jornalistas os pormenores neste momento possíveis do caso. 

Segundo Caubel, citada pelo jornal Actu Pas-de-Calais, "os alarmes parecem ter estado a soar durante vários anos" através do ministério da educação, dos serviços de proteção da criança e de proteção de pessoas com deficiência. Mas, afinal, o que falhou? A secretária de Estado diz que foi a falta de “coordenação” entre os diferentes intervenientes que trabalhavam com a família. 

Ou seja, de acordo com Caubel, a compilação e o cruzamento de dados fez com que nunca fosse possível apurar a realidade da família, sendo agora necessário que os filhos mais velhos colaborem para que se consiga perceber o que realmente aconteceu.

Charlotte Caubel afirmou ainda que a família era descrita como "cooperante, mas às vezes não cooperante", e que, "quando tinham visitas dos serviços sociais, arrumavam a casa, talvez por boa vontade ou, conscientemente, para esconder a realidade". 

Realidade essa que, segundo o procurador de Béthune, Thierry Dran, não incluía "crianças cobertas de excrementos como se leu na imprensa". 

"Não temos crianças cobertas de excrementos, como li em todos os lugares. O que é certo é que eles estavam sujos, e que havia deficiências inegáveis", afirmou Dran aos jornalistas, recusando ainda falar em "casa dos horrores" onde duas das crianças foram encontradas amarradas a cadeiras num estado de higiene deplorável.

O procurador recordou ainda que o número total de vítimas é de dez, sendo que os menores foram colocados em situação de emergência, após intervenção imediata da Brigada de Proteção à Família da esquadra de Lens. Cinco dos menores, dos quais não se sabe a idade, ficaram numa "estrutura comum", sendo que o filho mais velho, de 24 anos, e que denunciou o caso às autoridades, se deverá juntar aos irmãos e ao bebé, de apenas alguns meses.

“As crianças estão seguras, e podemos saudar a reação de todos os serviços, após a intervenção da polícia”, sublinhou a secretário de Estado da Criança.

Segundo Caubel, foi aberta uma investigação "transversal" para apurar “todas as informações" que as autoridades tinham em seu poder e "porque é que a resposta foi tão tardia". Foi ainda criado um comité de monitorização de proteção infantil em Pas-de-Calais.

Os pais, que recebiam 2.700 euros de abonos por mês, foram detidos e confessaram os crimes, dizendo que amarravam as crianças para que estas "não fizessem asneiras", avança o jornal l’Avenir de l’Artois. O pai, de 44 anos, trabalhava no mercado negro de mecânica automóvel, enquanto a mãe estava desempregada. Presentes a tribunal, ficaram em prisão preventiva. De acordo com o Código Penal francês, podem ser condenados a dois anos de prisão e a uma multa de 30 mil euros. As crianças, que tiveram de ser lavadas antes de serem levadas, estão aos cuidados do Estado.

O caso faz lembrar a casa dos horrores, na Califórnia, que foi descoberta depois de uma das 13 filhas de David Turpin e Louise Turpin ter fugido pela janela e alertado a polícia para o cativeiro em que vivia com os irmãos. Os pais acabariam condenados a prisão perpétua por 12 crimes de tortura, seis crimes de abuso de crianças, sete crimes de abuso a adultos dependentes e 12 crimes por manterem as crianças em cativeiro.

Relacionados

Europa

Mais Europa

Patrocinados