Rui Pinto deve concluir consulta aos discos apreendidos pela PJ até ao fim de agosto

Agência Lusa , FMC
14 jul, 21:45
Rui Pinto

Rui Pinto, de 33 anos, responde por um total de 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo, visando várias entidades como por exemplo o Sporting e a Procuradoria-Geral da República (PGR)

A consulta do criador do Football Leaks, Rui Pinto, aos discos apreendidos pela Polícia Judiciária (PJ) deve estar concluída até ao final de agosto e a tempo da próxima sessão do julgamento, revelou esta quinta-feira o advogado do arguido.

No final da sessão do julgamento, realizada no Juízo Central Criminal de Lisboa, Francisco Teixeira da Mota expressou a sua convicção ao tribunal, após ser questionado sobre o tema pela presidente do coletivo de juízes, Margarida Alves.

“Até ao final das férias judiciais ficará concluído”, adiantou. O período de férias judiciais arranca este sábado e prolonga-se até 31 de agosto, tendo a próxima sessão ficado agendada para 12 de setembro, às 09:30.

A continuação da reinquirição do inspetor da PJ José Amador, que coordenou a investigação deste caso, marcou a audiência de tarde. A defesa de Rui Pinto não escondeu a insatisfação pela falta de esclarecimentos obtidos ao fim de quase uma hora de perguntas sobre os temas abordados na reunião de 8 de setembro de 2020 entre os inspetores da PJ e a procuradora do Ministério Público (MP) no julgamento, Marta Viegas, que pediu a realização desse encontro.

“Acho que isto é gozar connosco. Tem de ficar claro que a testemunha não está a contar mais não porque não sabe, mas porque não quer”, chegou a afirmar Francisco Teixeira da Mota, continuando: “Já percebi que não vamos a lado nenhum”.

José Amador referiu que a reunião visou “esclarecer questões relacionadas com o inquérito e situações de contexto processual”, admitindo que os relatos de diligência externa (RDE) da PJ sobre o encontro na A5 entre Nélio Lucas, o colaborador Pedro Henriques e o arguido Aníbal Pinto, em outubro de 2015, possam ter sido abordados, mas sem adiantar o que foi dito sobre este tópico na reunião por assumir não se recordar.

“Não estou a tentar escamotear a verdade para a opinião pública ou o tribunal. Faço o meu melhor para ser o mais detalhado possível, mas tenho o direito a não me recordar”, disse. E confrontado com o facto de o assunto do email a convocar para a reunião ser precisamente acerca do RDE, o inspetor coordenador da investigação defendeu que não foi um erro e que não negava o título do referido email.

Sobre a reunião, José Amador tinha confirmado de manhã as presenças dos colegas Carlos Cabreiro, Rogério Bravo, Paulo Abalada, José Garcia e Hugo Monteiro, além da procuradora. No entanto, de tarde, reconheceu que José Garcia poderia não ter estado presente por eventualmente estar de férias e o próprio inspetor visado confirmou, após contactar a agência Lusa, que não esteve nessa reunião por se encontrar a gozar férias nessa data.

Por último, a defesa de Rui Pinto e a defesa do Sporting, que é assistente neste processo, manifestaram-se “estupefactos” com o reconhecimento pelo inspetor da PJ de que as reuniões entre procuradores do MP na fase do julgamento e inspetores que são testemunhas ocorrem regularmente. “Já aconteceu comigo noutras ocasiões”, adiantou José Amador, adicionando: “Faço com frequência, fi-lo com várias partes e não vejo que venha daí mal ao mundo”.

“Ficámos – eu e, pelo menos, o Dr. Francisco Teixeira da Mota - estupefactos com a frequência dessas reuniões. Represento o Sporting, que foi o primeiro a fazer queixa, e também fiz vários emails à PJ a pedir informações sobre o processo. Tirar dúvidas, todos gostaríamos de o fazer. Se eu tivesse pedido uma reunião nestes termos, o senhor marcava?”, atirou a advogada do Sporting, que é assistente no processo, Susana Sollari Cardoso, sem deixar de questionar se a reunião era mesmo necessária e se as dúvidas não podiam ser esclarecidas já no julgamento.

Rui Pinto, de 33 anos, responde por um total de 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada. Este último crime diz respeito à Doyen e foi o que levou também à pronúncia do advogado Aníbal Pinto.

O criador do Football Leaks encontra-se em liberdade desde 07 de agosto de 2020, “devido à sua colaboração” com a Polícia Judiciária (PJ) e ao seu “sentido crítico”, mas está, por questões de segurança, inserido no programa de proteção de testemunhas em local não revelado e sob proteção policial.

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