Senador brasileiro é alvo de uma investigação por suspeitas de branqueamento de capitais em dois processos em curso no Supremo Tribunal Federal
O senador Flávio Bolsonaro, candidato derrotado na segunda volta das eleições presidenciais brasileiras, afirmou esta sexta-feira que não vai repetir o "erro" do pai, o antigo presidente Jair Bolsonaro, de regressar ao seu país.
Flávio Bolsonaro, que concedeu uma entrevista ao jornal Folha de São Paulo, viajou na semana passada para os Estados Unidos, violando uma ordem judicial que o impedia de sair do Brasil.
O filho mais velho do antigo presidente Bolsonaro recordou que o pai regressou ao Brasil no início de 2023, depois de ter permanecido três meses nos Estados Unidos, e afirmou que este tomou essa decisão "porque sabia que era inocente, acreditando que ia ter um processo justo", mas acabou por ser condenado a 27 anos de prisão, acusado de liderar uma tentativa de golpe de Estado.
"Aprendo com os erros e os acertos do presidente Bolsonaro e não vou cometer o mesmo erro", afirmou Flávio, que não está acusado de qualquer crime, mas é alvo de uma investigação por suspeitas de branqueamento de capitais em dois processos que correm no Supremo Tribunal Federal.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro voltou a questionar o resultado das eleições, vencidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de a vitória do chefe de Estado ter sido reconhecida por todas as autoridades brasileiras e por todas as forças políticas, incluindo o Partido Liberal (PL), dos Bolsonaro.
"Nem Lula nem eu podemos afirmar com 100% de certeza que alguém foi eleito presidente do Brasil", comentou o candidato derrotado.
Lula venceu as eleições com 51,79% dos votos, contra 48,21% de Bolsonaro, uma diferença que correspondeu a pouco mais de quatro milhões de votos.
Bolsonaro questiona o facto de o horário de votação ter sido alargado por duas horas em todo o país, por decisão de um juiz do Supremo Tribunal Federal, depois de as campanhas dos dois candidatos terem solicitado essa medida por motivos diferentes.
Quanto ao futuro, o senador afirmou que o pai será o candidato da direita "se recuperar os direitos políticos", que tem suspensos até 2060, embora também se tenha disponibilizado para liderar uma candidatura.
Ainda assim, Bolsonaro advertiu que não sabe se haverá eleições em 2030, por considerar que o Governo de Lula "vai tentar implementar um projeto comunista".