Flávio Bolsonaro omite detalhes da fuga para os EUA: "Vou levar esse segredo para o túmulo"

Agência Lusa , MFP
Há 1h e 11min
Flávio Bolsonaro à chegada a Miami. Getty Images
Flávio Bolsonaro à chegada a Miami. Getty Images

Senador brasileiro insiste que "fez tudo sozinho" e garante que a partida para os Estados Unidos foi uma decisão "espontânea"

O senador brasileiro Flávio Bolsonaro, derrotado na segunda volta das eleições presidenciais, recusou revelar como conseguiu fugir do Brasil para os Estados Unidos, mas negou ter recebido ajuda de qualquer Governo.

"Vou levar esse segredo para o túmulo", afirmou Bolsonaro, numa entrevista ao The New York Times publicada na quarta-feira, sobre a forma como chegou aos Estados Unidos, na primeira entrevista desde que fugiu do Brasil após perder a segunda volta das presidenciais para Lula da Silva.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro negou ter recebido ajuda de "absolutamente ninguém, de nenhum Governo".

"Fiz tudo sozinho", disse.

Segundo explicou, foi uma decisão "espontânea", tomada em conjunto com a mulher.

Admitiu, contudo, que poderá ter sido "incentivado" por amigos no estrangeiro, mas "nada mais".

O jornal refere, num outro artigo, que um funcionário da Casa Branca tratou de conseguir o avião que levou Bolsonaro para Miami e que a sua entrada nos Estados Unidos foi autorizada diretamente pelo Presidente, Donald Trump, segundo fontes norte-americanas.

Um dos principais assessores do Presidente argentino, Javier Milei, recebeu-o num aeroporto em Puerto Iguazú, segundo relataram ao jornal três pessoas envolvidas na operação.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, negou que os Estados Unidos tenham facilitado a saída de Bolsonaro do Brasil.

Na entrevista ao The New York Times, Bolsonaro explicou que tomou a decisão na manhã seguinte às eleições, dia 26 de outubro, quando saía do condomínio onde o pai se encontra em prisão domiciliária por tentativa de golpe de Estado.

Segundo contou, o pai olhou-o nos olhos e perguntou-lhe se sabia "onde é que eles querem chegar com isto".

Bolsonaro recordou que respondeu estar "preparado" e saber "o que tinha de fazer".

Nenhum dos dois falou em fugir.

Embora tenha defendido a sua inocência no âmbito das investigações por branqueamento de capitais e corrupção de que é alvo, reconheceu que sabe que o seu destino será "a prisão".

Reiterou também as suas "suspeitas" quanto ao apuramento dos votos, cujo resultado considera "matematicamente impossível", e agradeceu a Trump por não ter tomado partido e por lhe ter permitido permanecer nos Estados Unidos.

"Se houver novas eleições, voltarei obviamente a candidatar-me", afirmou.

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