"Não é permitido franzir a testa no município". Estas duas cidades decretaram uma "política do sorriso" para os funcionários públicos

CNN Portugal , FMC
18 jul, 11:52
Aristotle Aguirre/Facebook

Dois recém-eleitos presidentes da câmara de duas cidades filipinas começaram a aplicar uma medida que obriga os funcionários públicos a sorrir. Quem não cumprir, poderá ter pior nota na avaliação de desempenho, ser alvo de ação disciplinar, multado ou ainda suspenso

Uma política surpreendente foi implementada, no mês passado, em duas cidades nas Filipinas, pelos autarcas da Câmara de Mulanay, Aristotle Aguirre, que já a tinha prometido aquando da campanha, e da Câmara de Silang, Alston Kevin Anarna.

Num post do Facebook, Aguirre escreveu que "não é permitido franzir a testa no município", anunciando a formalização da medida. O novo decreto requere não só que todos os funcionários do governo local sorriam, como prevê ações disciplinares para quem não cumprir esta "política do sorriso", que pode também afetar a avaliação de desempenho.

A população, muitas vezes vítima do ar "carrancudo" dos funcionários, como conta Ella May Legson, uma estudante universitária, em declarações ao New York Times, ficou feliz com a ideia de um melhor atendimento, ou, pelo menos, aparentemente mais feliz.

Contudo, a reação dos alvos da ordem ainda não é clara, e ainda há dúvidas sobre a legalidade desta imposição. Aristotle Aguirre assume que poderá existir alguma resistência, sublinhando que, por vezes, forçar um sorriso poderá ser difícil, uma vez que "nem sempre será um dia perfeito para todos".

Ainda assim, insiste que não é assim tão complicado: "um sorriso é muito contagiante". Para o autarca, a tarefa é fácil: "Eu sorrio muito. Acho fácil sorrir enquanto trabalho". 

Aguirre defende que esta medida foi uma das suass "bandeiras durante a campanha". Segundo o seu testemunho, quando os moradores da cidade iam à câmara "encontravam muitas deceções porque os serviços são muito lentos e, às vezes, os funcionários do governo não são tão amigáveis". Tornou, por isso, sua missão alterar esse flagelo.

Também Alston Kevin Anarna, presidente da Câmara de Silang, prometeu durante a sua campanha que todos seriam ensinados a sorrir.

“Os funcionários públicos precisam de sorrir”, disse Anarna numa entrevista. “Especialmente porque aqueles que normalmente vão à câmara são pessoas que não têm nada, pessoas que têm grandes problemas. Imagine se aqueles que os vão receber forem carrancudos e mal-humorados. Se forem bem tratados, com pessoas visivelmente sorridentes e dispostas a ajudá-los, eles vão sentir-se um pouco melhor”, defende. 

Anarna anunciou ainda que já se notam diferenças, que o ambiente é mais positivo até nos polícias de trânsito ou entre os trabalhadores que recolhem o lixo. 

De acordo com as regras implementadas, os que desrespeitem a regra na cidade de Silang, podem ser multados ou até suspensos. Por outro lado, em Mulanay, o presidente assume que não quer adotar essas regras, por serem demasiado duras, apesar de a suspensão também estar prevista na diretiva.

Apesar de inusitada, "a política do sorriso" não é inédita. Em 1948, o pioneiro nesta área, George Philips, presidente da Câmara de Pocatello, em Idaho, nos Estados Unidos aprovou uma lei que tornava ilegal o ato de não sorrir. Ainda hoje esta medida, quase irónica, está em vigor, contudo nunca foi realmente aplicada.

Uma imposição legal destas é rara. Porém, é comum assistir a chefes de empresas a recomendar e insistir que os seus funcionários sejam mais amáveis, disponíveis e bem-dispostos quando trabalham diretamente com o público. E a verdade é que algumas evidências científicas mostram que forçar um sorriso pode ter efeitos diretos no cérebro e criar momentos espontâneos de alegria, o que por sua vez pode ter efeitos positivos nas relações sociais.

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