Ciência descobre o "outro lado" da testosterona. Afinal, pode deixar o homem “mais afetuoso” e torná-lo um “superparceiro”

16 ago, 11:54
Casal (Pexels)

A hormona sexual masculina atua para lá do sexo e da agressão. Mas tudo depende do contexto

Ao contrário do que até agora se sabia, a testosterona não promove apenas comportamentos sexuais e agressivos no homem. Pode, na verdade, deixá-lo mais afetuoso e pró-social com a cara-metade (e até com desconhecidos). É o que dizem os investigadores da Universidade Emory, nos Estados Unidos: que esta hormonal sexual masculina pode mesmo tornar o homem um “superparceiro”.

“Pelo que acreditamos ser a primeira vez, demonstramos que a testosterona pode promover diretamente o comportamento não sexual e pró-social, além da agressão, no mesmo indivíduo”, começou por explicar Aubrey Kelly, professora de psicologia e uma das mentoras da investigação, publicada na revista Proceedings of the Royal Society B.

Segundo a investigação, “dependendo do contexto social”, a testosterona pode promover comportamentos “mais subtis” e não sempre agressivos. Em causa, está a influência que esta hormona sexual tem na atividade neurológica das células de ocitocina, comummente chamada de 'hormona do amor' por ter um papel determinante na empatia e no apego entre as pessoas.

Para chegarem a esta conclusão, os cientistas recorreram a esquilos-da-mongólia, que têm comportamentos semelhantes aos humanos em fase de acasalamento: ficam mais carinhosos e protetores numa relação, sobretudo quando a fêmea engravida. O objetivo era perceber de que modo a testosterona poderia interferir com o comportamento do macho e, ao contrário do que esperavam (isto é, comportamentos mais agressivos, em tom de proteção), notaram que uma dose extra desta hormona (injetada nos animais) aumentou os níveis de afeto e de comportamentos pró-sociais. 

“Em vez disso [da agressão], ficámos surpreendidos com o facto de o esquilo-da-mongólia se ter tornado ainda mais afetuoso e pró-social com a sua parceira. (...) Tornou-se um superparceiro”, explicou a cientista.

Uma semana depois, na presença de um esquilo-da-mongólia intruso na sua jaula e já sem a fêmea por perto, os animais que tinham recebido uma dose extra de testosterona voltaram a não apresentar comportamentos agressivos, mas sim “amigáveis” com o outro animal. Porém, o cenário mudou com um reforço da hormona sexual masculina.

Para os mentores do estudo, estes resultados mostram que a ação da testosterona parece depender do contexto em que o macho se encontra. No caso dos esquilos-da-mongólia usados nas experiências, o facto de estarem em ‘modo de acasalamento’ fez com que uma dose extra da hormona os deixasse mais pró-sociais e afetuosos com tudo e todos, no entanto, uma segunda dose já os fez ‘acordar’ para a realidade, o que, num contexto de desconforto e perigo, os levou a adotar comportamentos mais agressivos.

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