Base das Lajes tem "ótima localização" para eventual apoio à Ucrânia, sugere comandante americano

Agência Lusa , CNC
5 mai 2023, 19:01
Exército de Taiwan (Getty Images)

O Comandante americano vê esta base como um local importante para apoio às aeronaves que necessitem cruzar o oceano, sendo um ponto estratégico para os EUA

O comandante norte-americano da Base das Lajes, Brian Hardeman, considera que a infraestrutura, nos Açores, tem uma “ótima localização” para prestar apoio à Ucrânia, se assim for decidido.

“Os Estados Unidos estão com a NATO na invasão não provocada da Ucrânia. As Lajes são uma ótima localização, se a nossa liderança determinar que precisamos de dar alguma ajuda adicional de qualquer base que temos no palco europeu”, afirmou.

O comandante do 65th Air Base Group, estacionado na base das Lajes, na ilha Terceira, nos Açores, falava, em declarações aos jornalistas, durante um encontro com a comunicação social.

Questionado sobre um possível reforço do papel das Lajes devido à guerra na Ucrânia, o comandante norte-americano reiterou que a base está numa "ótima localização", caso os líderes entendam que ela deva dar uma "ajuda adicional".

"A base das Lajes está sempre aberta para acolher o que for determinado. Podemos apoiar a Ucrânia, se essa decisão for tomada", apontou.

Quanto à vigilância de submarinos russos no Atlântico, Brian Hardeman não confirmou nem desmentiu, dizendo apenas que a força aérea norte-americana está "sempre de olho em tudo".

“A marinha é que decide a melhor forma de manter a vigilância da atividade russa. A base das Lajes é uma localização ótima, devido à nossa capacidade de abastecimento de combustível, ao espaço de estacionamento e à nossa capacidade para acolher muita gente”, avançou.

Comandante admite reforço de meios na base das Lajes no futuro

Brian Hardeman defendeu esta sexta-feira que a Base das Lajes continua a ser estratégica para os Estados Unidos da América (EUA), admitindo a possibilidade de um reforço de meios no futuro.

"É algo que estamos a explorar, com base em futuras necessidades, que ainda estão a ser definidas. Os Açores são uma localização estratégica. Os Estados Unidos e Portugal são basicamente melhores amigos e queremos garantir que continuamos a capitalizar essa relação. Estamos definitivamente a considerar um reposicionamento e potencialmente trazer recursos adicionais, seja mão-de-obra ou outros, para ajudar em futuras missões, que ainda estão a ser definidas", afirmou.

O comandante do 65th Air Base Group, estacionado na base das Lajes, na ilha Terceira, nos Açores, falava, em declarações aos jornalistas, durante um encontro com a comunicação social, numa altura em que decorre na ilha um exercício militar com quatro aeronaves KC-46 Pegasus, de reabastecimento aéreo.

Estes militares ficaram alojados na base das Lajes para participar num exercício que durará cerca de quatro dias.

"Eles escolheram-nos devido à nossa ótima localização. Estão a fazer um exercício, que podiam fazer em qualquer lado, mas eu estou feliz por os podermos receber aqui, para permitir que possam treinar e executar a sua missão", salientou o comandante.

Desde a redução do efetivo, em 2015/2016, estão em permanência na base das Lajes 164 militares, apoiados por 420 civis portugueses, mas Brian Hardeman não fecha a porta a um eventual reforço.

"No futuro, com base nas missões, esse número pode aumentar. Tudo depende de como as missões forem definidas", adiantou.

Nada está "definido com clareza" neste momento, mas "a concorrência estratégica é um 'monstro', que exige muita avaliação e análise".

"Queremos ter a certeza de que estamos a dar o nosso melhor para cumprir essa tarefa. Não queremos fazer nada que seja prematuro, que possa interromper as relações entre Portugal e os Estados Unidos, fazendo algo que nos obrigue a recuar", explicou.

Desde o processo de redução que os militares são colocados na base das Lajes por comissões de um ano, sem direito a acompanhamento familiar pago, mas a Força Aérea norte-americana está também a considerar reverter essa decisão.

"No futuro, estamos a considerar a melhor forma para trazer as famílias e mudar as comissões de 12 para 24 meses (…) Não é algo que vá acontecer de um dia para o outro, vai efetivamente levar algum tempo, mas é algo que os líderes estão a considerar", adiantou o comandante norte-americano.

O KC-46 Pegasus, o mais moderno reabastecedor da Força Aérea norte-americana, tem capacidade para reabastecer um avião C17 ou 10 a 12 caças, em minutos, durante o voo, podendo também ele ser reabastecido no ar.

Ainda assim, o comandante norte-americano considerou que a base das Lajes continua a ter um papel importante de apoio às aeronaves que cruzam o Atlântico, até porque tem "a segunda maior pista" em bases onde os Estados Unidos têm presença na Europa, "48% da capacidade combustível e 21% do espaço de estacionamento".

"A base das Lajes é absolutamente estratégica. O que podemos fazer a partir deste local é praticamente único no Atlântico e na região de África", reforçou.

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