Ministra da Defesa diz que “relevância” geoestratégica dos Açores é “crescente”

Agência Lusa , AM
6 set, 12:45
A ministra da Defesa Nacional, Helena Carreiras, durante a sua audição na Comissão de Defesa Nacional, na Assembleia da República (António Cotrim/ LUSA)

Helena Carreiras destaca a importância do atlântico ao nível da defesa e da ciência, exemplificando com o Centro do Atlântico, iniciativa de Portugal que integra 16 países, foi formalizado a 14 de maio de 2021, na ilha Terceira, para formar uma “nova frente de apoio à paz e à estabilidade no oceano Atlântico”

A ministra da Defesa Nacional, Helena Carreiras, considerou hoje que a “relevância” geoestratégica dos Açores é “crescente”, reforçando que as “ameaças” vêm do leste e do sul e reiterando a importância de proteger o espaço marítimo.

Em declarações aos jornalistas, após uma audiência com o líder do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM), na sede da Presidência, em Ponta Delgada, Helena Carreiras realçou o “lugar absolutamente central” dos Açores na defesa do território marítimo nacional.

“Há uma relevância que eu acho que é crescente numa altura em que percebemos que os riscos e as ameaças não vêm apenas de leste, mas vêm de sul. Proteger este espaço é uma responsabilidade, para nós Portugal, acrescida”, declarou, quando questionada sobre uma eventual perda da relevância geopolítica do arquipélago.

Para a governante, os Açores são um “espaço de dimensão e significância geoestratégica da maior relevância no plano nacional”.

A ministra destacou a importância do atlântico ao nível da defesa e da ciência, exemplificando com o Centro do Atlântico, uma “iniciativa que visa reunir todos os países ribeirinhos do Atlântico, num “esforço conjunto” para “assegurar o estudo” dos recursos do oceano.

“Creio que nunca como agora percebemos a relevância do atlântico e da nossa posição atlântica enquanto fator estratégico, de potencial para o país, também face aos desafios que temos de enfrentar neste espaço do atlântico”, assinalou.

O Centro do Atlântico, iniciativa de Portugal que integra 16 países, foi formalizado a 14 de maio de 2021, na ilha Terceira, para formar uma “nova frente de apoio à paz e à estabilidade no oceano Atlântico”, segundo disse o então ministro da Defesa, Gomes Cravinho.

Helena Carreiras lembrou ainda o anúncio realizado na segunda-feira, assegurando que os Açores vão ter uma segunda tripulação para operar os helicópteros EH-101 e que a Marinha Portuguesa terá um segundo salva-vidas na região.

“Vamos poder reforçar o dispositivo de busca e salvamento aqui nos Açores com uma segunda lancha, uma aspiração de todos, bem como uma segunda tripulação do helicóptero EH-101, uma outra aspiração também que tenho muito gosto em anunciar”, reiterou.

Helena Carreiras termina hoje uma visita aos Açores, que começou no sábado e passou pelas ilhas de São Jorge, Faial, Terceira e São Miguel.

A ministra classificou a visita como “maravilhosa”, enaltecendo a “grande cooperação” que existe entre as “várias entidades” militares na região.

“O que senti aqui é que, de facto, as instituições assumem o seu papel numa perspetiva muito colaborativa e isso faz a diferença. Senti um grande envolvimento das populações no reconhecimento desta presença”, reforçou.

Na segunda-feira, Helena Carreiras anunciou que base aérea número 4, nas Lajes, nos Açores, deverá ter, até ao final do ano, uma segunda tripulação para operar os helicópteros EH-101, que fazem missões de busca e salvamento.

A Força Aérea portuguesa tem dois helicópteros EH-101 Merlin colocados na base aérea número 4, mas apenas uma tripulação fixa.

A atribuição de uma segunda tripulação é uma reivindicação antiga das autoridades regionais.

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