Sem aumento salarial ou progressão? Quase metade dos jovens vai entrar em modo 'fazer o mínimo possível'

ECO - Parceiro CNN Portugal , Joana Nabais Ferreira
11 dez 2022, 16:00
Computador

A remuneração é a principal razão que motiva o "despedimento silencioso", revela um inquérito da Robert Walters

Protestando contra quedas nos padrões de vida e salários estagnados há demasiado tempo, quase metade dos jovens com menos de 30 anos dizem que pretendem fazer o “mínimo” para a sua função, caso os salários e o potencial de progressão de carreira permaneçam estáticos. Entrarão em quiet quitting, revela um inquérito levado a cabo pela Robert Walters.

“Esse comportamento não é totalmente novo, sempre houve indivíduos menos motivados no local de trabalho. No entanto, a verdadeira preocupação aqui é que, ao contrário daqueles poucos trabalhadores que tendem a ser conscientemente menos produtivos no trabalho, ‘desistir em silêncio’ é, muitas vezes, um ato subconsciente gerado por frustrações no trabalho”, explica o CEO da Robert Walters, Toby Fowlston.

A principal razão que motiva a ‘demissão silenciosa’ dos profissionais com menos de 30 anos é a remuneração. Embora, para alguns, 2022 tenha sido um ano recorde para aumentos salariais, especialmente para aqueles que decidiram mudar de trabalho, conseguindo aumentos de até 25%, a realidade que o estudo da consultora de RH mostra é de uma incapacidade de os salários corresponderem ao aumento do custo de vida. Os jovens passaram a “agir de acordo com o seu salário” e, de repente, sentem que são “muito mal pagos”.

Sempre houve indivíduos menos motivados no local de trabalho. No entanto, a verdadeira preocupação aqui é que, ao contrário daqueles poucos trabalhadores que tendem a ser conscientemente menos produtivos no trabalho, ‘desistir em silêncio’ é, muitas vezes, um ato subconsciente gerado por frustrações no trabalho”, Toby Fowlston, CEO da Robert Walters.

 

“Em todos os casos de dificuldades económicas, são os jovens trabalhadores que recebem salários mais baixos que mais sentem o ónus financeiro. A sua falta de experiência profissional – exacerbada ainda mais pela pandemia – coloca-os numa posição muito mais fraca do que a dos seus colegas mais velhos e experientes, ao tentar negociar salários mais altos”, defende Toby Fowlston.

E acrescenta: “Os empregadores não poderão aumentar os salários na mesma taxa de inflação – isso é um fato –, então é aqui que regalias e benefícios realmente têm a chance de fazer a diferença. Cada vez mais, vouchers de serviços públicos, cartões de viagem e assinaturas de streaming são oferecidos aos funcionários”, revela.

O inquérito, levado a cabo pela equipa da Robert Walters de Londres, envolveu 450 respostas de vários países da Europa, incluindo Portugal.

Relacionados

Economia

Mais Economia

Patrocinados