Exclusivo. PJ encontra vestígios de sangue e identifica autor de cartas para a embaixada da Ucrânia em Lisboa

7 dez 2022, 20:00

O responsável simula em todos os casos que o remetente é a empresa norte-americana Tesla - e as autoridades suspeitam que o objetivo seja atingir a imagem da Tesla, fazendo aproveitamento do alarme internacional face à guerra na Ucrânia

A Unidade de Contraterrorismo da Polícia Judiciária já chegou à identidade do autor e remetente das duas cartas suspeitas que foram enviadas à embaixada da Ucrânia em Lisboa na última segunda-feira, sabe a TVI/CNN Portugal. São consideradas suspeitas de conterem vestígios químicos ou um produto incendiário.

As análises feitas aos envelopes e ao conteúdo das cartas no Instituto Ricardo Jorge e no Laboratório de Polícia Científica detetaram vestígios biológicos de sangue animal e olhos de animais - a mesma  "assinatura de autor" já identificada noutras cartas enviadas em pacotes para embaixadas e consulados da Ucrânia em Espanha, na Hungria, nos Países Baixos, na Polónia, na Croácia, na Chéquia e em Itália. 

O responsável simula em todos os casos que o remetente é a empresa norte-americana Tesla - e as autoridades suspeitam que o objetivo seja atingir a imagem da Tesla, fazendo aproveitamento do alarme internacional face à guerra na Ucrânia. 

O autor destas ameaças está identificado num país da União Europeia, sabe a TVI/CNN Portugal, numa situação que à partida concorre em paralelo com outra que tem incidência em Espanha. Refira-se que entidades espanholas, nomeadamente o Governo, também receberam vários pacotes com um mecanismo que provoca uma deflagração por chama repentina.

A investigação da PJ continua, em articulação com as congéneres europeias.

Os envelopes que chegaram esta segunda-feira à tarde à embaixada da Ucrânia em Lisboa e que os funcionários consideraram suspeitos tinham "um cheiro específico", apurou a TVI/CNN Portugal. Além disso, as cartas, que chegaram por correio normal via CTT, tinham "características que correspondiam à descrição dos envelopes que foram recebidos nas outras embaixadas" - esses tinham ou restos de animais ou engenhos explosivos

Após as dezenas de cartas recebidas noutras embaixadas, o Governo ucraniano já tinha dado indicações aos funcionários sobre como agir numa situação semelhante. Foi isso que fizeram: chamaram a PSP. Depois de ter chegado ao local, a polícia não detetou quaisquer indícios de pólvora ou de outro tipo de engenho explosivo nos envelopes. 

O alerta foi dado cerca das 15:00 e pelas 17:00 estavam no local equipas da Unidade Especial de Polícia, nomeadamente do Centro de Inativação de Engenhos Explosivos e Segurança Subsolo, para despiste dos envelopes suspeitos.

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