Partido de Le Pen escolhe descendente de argelinos para número dois nas europeias

Agência Lusa , NM
25 mar, 16:52
Marine Le Pen (GettyImages)

Partido de extrema-direita tem como ‘bandeira’ a imigração ao nível da União Europeia, opondo-se ao novo Pacto em matéria de Migração e Asilo

O partido de extrema-direita francês União Nacional (RN, sigla em francês) anunciou esta segunda-feira que Malika Sorel-Sutter, política de origem argelina conhecida pelas posições anti-imigração, será número dois nas suas listas às próximas eleições europeias, cujas sondagens lidera.

"Juntar-me ao RN [...] permite-me participar na reorganização da França", escreveu Sorel-Sutter na rede social X, acrescentando que "é tempo de tomar decisões políticas responsáveis para promover a assimilação e reforçar a coesão nacional" no país.

A número dois da lista liderada por Jordan Bardella, antes associada ao partido de direita Os Republicanos (LR, sigla em francês), junta-se agora ao partido de Marine Le Pen, que tem como ‘bandeira’ nas próximas eleições a imigração ao nível da União Europeia, opondo-se ao novo Pacto em matéria de Migração e Asilo.

"Trabalhei com Dominique de Villepin, Nicolas Sarkozy e François Fillon: agora, acredito que o RN é o único partido que defende os interesses superiores da França e do povo francês”, afirmou Sorel-Sutter, destacando o "medo de uma ‘libanização’ da França" e, por isso, vontade de lutar contra o "caos" migratório, de segurança e da educação.

Filha de argelinos, Malika Sorel-Sutter escreveu vários ensaios sobre imigração, culpando "parte" dos imigrantes por "se virar contra a terra de acolhimento". Foi membro do Alto Conselho de Integração durante o mandato do ex-presidente Nicolas Sarkozy.

A lista do RN para as europeias inclui outra voz anti-imigração, o antigo diretor da Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex), Fabrice Leggeri, que se juntou ao partido de extrema-direita e foi anunciado em fevereiro como terceiro da lista para as eleições europeias.

"Juntei-me à lista de Jordan Bardella porque quero que a França e a Europa recuperem o controlo das suas fronteiras", disse Leggeri, defendendo que "a Frontex tem sido mal utilizada pela Comissão Europeia e temos de lhe devolver o seu papel de guarda de fronteiras".

Em 2019, durante a anterior campanha para as eleições europeias, juntaram-se à lista da RN Thierry Mariani, antigo ministro de Sarkozy, e Jean-Paul Garraud, antigo deputado da União por um Movimento Popular (UMP, antecessor do LR) que também esta segunda-feira se pronunciou sobre o reforço da extrema-direita.

"Tal como [Malika Sorel-Sutter], apoiei N. Sarkozy e F. Fillon e, sem alterar as nossas convicções, estamos naturalmente juntos para desempenhar um papel ativo na recuperação nacional e europeia", afirmou Garraud.

Embora a lista completa da RN não tenha sido anunciada ainda, é provável que Garraud esteja incluído, tal como Bardella já anunciou.

Segundo uma sondagem divulgada pelo jornal francês Challenges, o partido de extrema-direita RN reúne 30% das intenções de voto para as eleições europeias, seguido do partido de Macron (Renascimento, liderado por Valérie Hayer) com 18% e da plataforma europeísta de esquerda liderada por Raphaël Glucksmann, que junta o Partido Socialista e o Place Publique (13%).

As eleições para o Parlamento Europeu ocorrem de 06 a 09 de junho de 2024.

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