Cerca de 30 pessoas manifestam-se no Ministério da Habitação pelo fim dos despejos

Agência Lusa , HCL - notícia atualizada às 14:57
13 mar, 12:33
Famílias em risco de despejo protestam no Ministério da Habitação

Grupo restrito vai ser recebido por Marina Gonçalves, ministra da Habitação

Cerca de 30 pessoas dirigiram-se esta segunda-feira ao Ministério da Habitação, em Lisboa, e exigiram uma reunião com a ministra, para pôr fim aos despejos em vários bairros, tendo a governante Marina Gonçalves já se mostrado disponível para as receber.

À porta do Ministério da Habitação, na zona do Campo Pequeno, estão representantes de vários bairros da Área Metropolitana de Lisboa, nomeadamente do Talude (concelho de Loures), do Segundo Torrão (Almada), do 6 de Maio (Amadora) e Montemor (Loures), que pedem “realojamento já” e exigem que não haja “nem mais um despejo”.

Empunhando megafones e vários cartazes, o grupo de manifestantes promete ficar até ao fim da reunião com a ministra da Habitação, Marina Gonçalves.

Uma assessora da ministra confirmou à Lusa que um grupo restrito destes manifestantes será recebido por Marina Gonçalves, assim que a governante termine uma outra reunião.

Os jornalistas presentes no local foram impedidos de entrar no ‘hall’ de entrada do Ministério da Habitação, onde outros representantes dos bairros, acompanhados por ativistas da Habita - Associação pelo direito à habitação e à cidade, decidiam quem irá à reunião.

Associação Habita destaca necessidade de garantia de alojamento às famílias afetadas pelas demolições no bairro do Talude

Em comunicado, a associação Habita destacou as recentes demolições do bairro do Talude, em Loures, que decorreram na passada segunda-feira, afirmando que falta garantir o realojamento das famílias que ficaram sem casa.

“Dizem-nos que está tudo resolvido e que ninguém fica na rua. Nada disto é verdade”, reclamou a associação.

Na passada segunda-feira, 6 de março, a Câmara Municipal de Loures avançou com a demolição de oito construções ilegais no bairro do Talude, no Catujal, e assegurou que as famílias que ali viviam têm os seus casos analisados pela Segurança Social para um abrigo de emergência, tendo sido reencaminhadas para a Casa da Cultura de Sacavém.

Na sexta-feira, a autarquia disse que as seis famílias (oito adultos e quatro crianças) que viviam em oito habitações precárias no bairro do Talude estão desde a noite de quinta-feira realojadas, provisoriamente, em pensões até encontrarem uma solução habitacional.

Fonte da Câmara Municipal de Loures adiantou à Lusa que a Segurança Social, entidade responsável pelo realojamento, vai assegurar o pagamento de seis meses de renda de uma habitação, cabendo às famílias encontrarem uma alternativa de arrendamento no mercado.

Apoiando o protesto de hoje junto ao Ministério da Habitação, a associação Habita alertou que as famílias despejadas há uma semana do bairro do Talude “ainda não descansaram: dormiram três noites no salão da Casa da Cultura de Sacavém e depois foram colocados em pensões variadas”.

“Algumas pessoas já trocaram de pensão. Outras estão em camaratas de 12 camas, de onde, sem conseguir descansar, saem para trabalhar às cinco da manhã”, apontou.

Reforçando que “um quarto de pensão não é uma casa: num quarto de pensão não se pode estudar, não se pode cozinhar, não se pode organizar uma vida”, a Habita referiu que algumas famílias foram colocadas numa pensão localizada a 20 quilómetros do local de trabalho ou da escola, em que “o trajeto entre os dois passa por uma sucessão de vários transportes públicos”, que pode demorar “uma hora e meia ou duas horas”.

De acordo com a associação, o protesto de hoje acontece após a falta de resposta da ministra da Habitação, que “ignorou as cartas e os pedidos de ajuda desesperados destas famílias, deixando-as sem outra opção”.

A Habita reiterou as críticas ao programa do Mais Habitação, apresentado em 16 de fevereiro pelo Governo, considerando que as medidas anunciadas “procuram apenas atirar areia para os olhos e não respondem à crise habitacional”.

“A resposta mais urgente e necessária é suspender os despejos. Se tal foi feito durante a pandemia, também terá de ser perante esta urgência social que afeta cada vez mais pessoas de todos os estratos sociais”, defendeu a associação.

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