PS só garante futuro no Parlamento a dois “dinossauros” autárquicos

ECO - Parceiro CNN Portugal , Salomé Pinto
29 jan, 07:27
Pedro Nuno Santos (Paulo Novais/Lusa)

Quase metade dos presidentes de câmara socialistas estão a cumprir o último mandato, mas apenas Walter Chicharro, da Nazaré, e Luís Dias, de Vendas Novas, têm lugar assegurado na cadeira de deputado

Dos 148 presidentes de câmara do PS, 65, isto é, quase metade (43,9%), não poderão recandidatar-se ao mesmo cargo, pelo menos em listas socialistas, nas autárquicas de 2025, por estarem a cumprir o terceiro e último mandato consecutivo. Só dois desses “dinossauros” autárquicos têm o futuro garantido no Parlamento, estando certa a sua eleição como deputados nas legislativas antecipadas de 10 de março.

De fora das listas ficam nomes do PS, que estão em fim de mandato autárquico, como Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, ou Rui Santos, presidente do município de Vila Real. Isilda Gomes, de Portimão, e Carla Tavares, da Amadora, também não integram as listas e estão no último ciclo de governação municipal, mas fazem parte do secretariado nacional de Pedro Nuno Santos, o órgão máximo da direção do PS.

Walter Chicharro, presidente da Câmara de Nazaré, e Luís Dias, que comanda os destinos da autarquia de Vendas Novas, são os dois contemplados em fim de mandato que estão em lugares elegíveis nas listas de deputados à Assembleia da República, segundo o levantamento do ECO.

O autarca da Nazaré concorre na terceira posição do círculo de Leiria, que é encabeçado pelo líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias. Nas eleições de 2022, os socialistas conseguiram eleger, por este distrito, cinco deputados, e o PSD quatro, tendo o Chega conseguido um eleito. Ou seja, mesmo que o PS perca as eleições, é muito provável que consiga alcançar pelo menos três mandatos em Leiria.

O presidente do executivo municipal de Vendas Novas e líder da federação do PS de Évora é o número um por este círculo eleitoral, pelo que a saída para o lugar de deputado está mais do que garantida. No último sufrágio, o PS ganhou dois deputados e o PSD um, sendo que este círculo só consegue eleger três mandatos.

Walter Chicharro e Luís Dias podem começar já a preparar a passagem de testemunho para os seus delfins, isto é, vice-presidentes, que irão assumir a presidência do município, preparando já o terreno para as autárquicas do próximo ano, em modo de pré-campanha.

Uma estratégia aliás que foi seguida na Câmara de Lisboa, quando, em 2015, o então presidente da Câmara, António Costa, saiu para chefiar o Governo e o então ‘vice’, Fernando Medina, ficou responsável pela liderança do município, o que lhe valeu, no sufrágio seguinte, de 2017, a eleição para presidente da autarquia.

Walter Chicharro vai dar os comandos da Nazaré ao seu vice-presidente, Valentino Cunha, e Luís Dias ao seu número dois, em Évora, Manuel Sequeira.

Lídia Leitão

Há outros três presidentes de câmara do PS em fim de ciclo, por estarem a cumprir o terceiro e último mandato, que só poderão ser eleitos deputados se o PS alcançar uma maioria absoluta ainda mais reforçada do que a que alcançou em 2022.

Nesta situação, estão os autarcas de Macedo de Cavaleiros, Benjamim Rodrigues, de Cinfães, Armando Mourisca, e da Câmara da Arruda dos Vinhos, André Rijo, que estão à frente dos municípios desde 2013.

O presidente da Câmara de Macedo de Cavaleiros foi colocado em segundo lugar na lista do PS de deputados à Assembleia da República por Bragança, círculo que é liderado por Isabel Ferreira, atual secretária de Estado do Desenvolvimento Regional. Nas legislativas de 2022, que deram a maioria absoluta ao PS, o partido alcançou, pelo distrito, dois mandatos e o PSD um, sendo que este círculo apenas elege três deputados. Ou seja, se o partido de Pedro Nuno Santos perder a maioria absoluta não vai conseguir assegurar a cadeira de deputado a Benjamim Rodrigues.

O autarca de Cinfães segue na quinta posição por Viseu, distrito liderado por Elza Pais, deputada e presidente das Mulheres Socialistas. Ora há dois anos, o PS com maioria absoluta elegeu quatro deputados, não conseguindo chegar ao quinto, pelo que é quase certo que Armando Mourisco fica de fora. O PSD alcançou também quatro mandatos.

O presidente do município da Arruda dos Vinhos poderá ter mais hipóteses de ser eleito deputado, mas só se Pedro Nuno Santos conseguir repetir os resultados das legislativas de há dois anos. André Rijo que está a completar o terceiro e último mandato pelo PS concorre em 15.º lugar por Lisboa, círculo que é encabeçado pela ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, que é o braço direito do primeiro-ministro demissionário, António Costa. No sufrágio anterior, os socialistas elegeram 21 deputados pelo distrito, de um total de 48, e o PSD apenas 13. IL e Chega conseguiram quatro cada um. A CDU e o BE dois por cada partido. E Livre e o PAN obtiveram um mandato.

Isto significa que se a Aliança Democrática (AD), coligação que junta PSD, CDS e PPM, ganhar as eleições com uma maioria confortável, o PS não vai conseguir manter os resultados de 2022 e André Rijo ficará fora do Parlamento.

Lídia Leitão

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