Com a Euribor a subir, é altura de passar o crédito à habitação para a taxa fixa?

5 mai, 17:15
Imobiliário em Portugal (Getty Images)

Especialistas ouvidos pela CNN Portugal convergem na ideia de que a taxa fixa, se aplicada durante 10 anos como propõem a maior parte dos bancos nacionais, não traz benefícios

Quem procura comprar casa, faz sempre esta questão: é mais benéfico optar pela taxa de juro fixa ou variável? A questão, com o regresso da Euribor para valores positivos, torna-se mais premente.

Não há uma resposta mágica, claro. Cada caso é um caso: as famílias devem fazer contas, pedir simulações, perceber com que objetivo estão a comprar a casa e de que forma lidam com o risco. Mas, para os especialistas ouvidos pela CNN Portugal, a taxa variável continua a compensar.

Nem todos os bancos oferecem fixa para o contrato inteiro

Nem todos os bancos oferecem a modalidade de taxa fixa para a totalidade do contrato. A maioria das ofertas disponíveis em Portugal, dizem os especialistas, aplicam a taxa fixa num período mais reduzido, por exemplo de 10 anos.

“É difícil que nesses 10 anos a média das variações da Euribor seja compensada pelo que se paga a mais em taxa fixa”, explica Gonçalo Nascimento Rodrigues, consultor em finanças imobiliárias

Até porque os bancos, para se protegerem, estão eles próprios a subir esta taxa. Nuno Rico, economista da Deco Proteste, lembra que os bancos tendem a aplicar um prémio de “seguro”, para acautelar cenários em que a taxa variável lhes poderia sair mais benéfica.

“Na maior parte do que tenho visto, não compensa, porque os bancos já se estão a precaver”, reforça Pedro Lino, economista e administrador da DIF Broker e da Optimize Investment.

Para amortizar mais cedo, paga mais em fixa

Uma das perguntas que tem de fazer a si próprio se for comprar casa, é: quanto tempo espero viver nela? É para a vida ou tem planos para daqui a uma década, com ter filhos por exemplo, e passar para uma casa maior?

Se for o segundo caso, há um motivo adicional para optar pela taxa variável, segundo os especialistas ouvidos pela CNN Portugal: “O crédito de taxa fixa tem uma comissão de amortização antecipada mais acentuada”. Ou seja, se quiser abater no valor – seja porque vai vender a casa ou porque lhe surgiram umas poupanças adicionais – a taxa fixa poderá não ser benéfica.

“Se for a longo prazo, pensaria se não valeria a pena a taxa fixa para um contrato de 20 anos”, sugere Gonçalo Nascimento Rodrigues.

Fixa dá segurança a quem não queira surpresas

Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário, concorda que a taxa fixa pode ser benéfica em situações de muito longo prazo. Diz o especialista que a experiência dos últimos anos tem mostrado que a taxa variável continua a ser mais benéfica. “É normal que existam choques, mas os juros tendem progressivamente a ir convergindo”, resume.

Há, contudo, uma situação em que a taxa variável pode ser uma dor de cabeça (e os bancos, nestes casos, tendem eles próprios a reencaminhar os clientes para a taxa fixa: quando o cliente que pede o empréstimo “já está no liminar do esforço e quer salvaguardar-se” de flutuações na prestação, aponta Nuno Rico. Evitam-se surpresas ao final do mês mas, uma vez mais, convém “ter a consciência de que se está a pagar mais”.

Uma simulação feita nas plataformas da Caixa Geral de Depósitos e do Banco CTT comprovam isto mesmo. Para um pedido de 100 mil euros, com um prazo de 30 anos, o banco público aplicaria uma prestação de 372,12 euros com taxa fixa, mais 29,38 euros. Já no Banco CTT, uma prestação sem alterações ficaria a 416,24 euros, mais 60,81 euros.

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