Diretor da CIA afasta rumores de doença de Putin: "Ele está saudável demais"

21 jul, 11:51
William Burns e Vladimir Putin (Mikhail Metzel/AP)

William Burns partilhou algumas informações dos serviços secretos norte-americanos num fórum de segurança

O diretor da CIA garantiu que o presidente da Rússia está “saudável demais”, afastando assim rumores de que Vladimir Putin possa estar doente ou ter um cancro, conforme admitia um relatório norte-americano, que relatava tratamentos em abril.

“Existem vários rumores em torno da saúde do presidente Putin, mas, até onde sabemos, ele está saudável demais”, afirmou William Burns, que chegou a ser embaixador dos Estados Unidos em Moscovo.

Palavras que já foram proferidas depois de Vladimir Putin ter tossido a meio de uma visita ao Irão, algo que o presidente russo justificou com as diferenças de temperatura: "Estava muito quente em Teerão, mais de 38 graus, e o ar condicionado estava muito forte. Peço desculpa", disse, aconselhando depois os participantes do encontro em quue participou a "tomarem conta da sua saúde".

O assunto foi abordado esta quinta-feira pelo porta-voz do Kremlin, que garantiu que o presidente está bem. Dmitry Peskov atribui os rumores à especulação do Ocidente, afirmando que "não passam de mentiras".

A doença sempre foi negada pelo governo russo, sendo que o ministro dos Negócios Estrangeiros chegou mesmo a abordar o assunto: "Não creio que as pessoas sãs possam ver em Putin sinais de algum tipo de doença ou enfermidade", disse Lavrov, no final de maio.

Em declarações no Fórum de Segurança de Aspen, esta semana, William Burns deixou claro que as suas declarações “não são um julgamento formal de espionagem”. No entanto, vindo de quem vem, são palavras a ter em conta e que já estão a ter eco na imprensa mundial.

Os rumores de uma possível doença de Vladimir Putin surgiram ainda antes da guerra, em plena pandemia de covid-19, quando o presidente russo deixou de fazer tantas aparições em público, postura que tem mantido desde 24 de fevereiro, dia em que a Rússia invadiu a Ucrânia.

Sobre as pretensões da Rússia na Ucrânia, William Burns diz serem baseadas em "assunções profundamente falsas", falando numa "retórica" de Vladimir Putin em que diz que o presidente russo acredita: "Tenho-o ouvido a dizer isto em privado ao longo de anos, que a Ucrânia não é um país verdadeiro. Ele acredita que é seu direito, direito da Rússia, dominar a Ucrânia", acrescentou.

A Ucrânia foi um dos países que surgiram do desmantelamento da União Soviética, algo que Vladimir Putin já disse ter sido um dos acontecimentos mais trágicos da história. Recentemente, têm sido várias as declarações que apontam que os responsáveis russos não acreditam no direito ucraniano à soberania, sendo que aquilo a que a Rússia chama de "operação militar especial" começou com o objetivo oficial de "libertar" a região do Donbass de neonazis ucranianos, defendendo por esses meios os separatistas das autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk, entretanto reconhecidas pela Rússia.

Ainda sobre a guerra, o diretor da CIA apontou que o número de baixas do lado russo andará à volta dos 15 mil soldados, sendo que outros 45 mil terão ficado feridos. Números a que William Burns se refere como sendo "muito significativos".

"Os ucranianos também têm sofrido, provavelmente menos, mas são perdas significativas", acrescentou.

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