“Conseguir poder de combate”: a China lançou ao mar o seu terceiro porta-aviões

17 jun, 07:39

Num momento em que os países do Indo-Pacífico entraram numa nova corrida às armas, a China lançou ao mar o seu terceiro porta-aviões, com tecnologia topo de gama. Até 2035, Pequim quer lançar outros três

A China lançou ao mar esta sexta-feira o seu terceiro porta-aviões, batizado com o nome da província de Fujian. A nova mega-embarcação do Exército de Libertação Popular foi lançada no porto de Xangai, em cujos estaleiros foi construída - a cerimónia teve pompa e circunstância, hino e champanhe, e direto televisivo do canal oficial CCTV.

O porta-aviões, com um deslocamento de mais de 80 mil toneladas, é maior e tem mais capacidade do que os dois já operados para Armada chinesa, e conta com tecnologia de ponta, como o sistema de catapulta eletromagnética, que permite o lançamento mais rápido de aviões de combate, com menos gasto de energia e menos exigências de manutenção - é o mesmo sistema de catapulta utilizado pelos porta-aviões norte-americanos da classe Gerald Ford.

O lançamento do novo porta-aviões não significa que este esteja pronto, apenas que terminou a fase de construção em doca seca. Começa agora uma nova fase dos trabalhos, desde que nos testes de navegação não sejam detetadas fugas. Seguem-se trabalhos com equipamentos e inúmeros outros testes antes do navio ir para alto mar. Ou seja, demorará algum tempo até estar completamente operacional. 

O lançamento do Fujian devia ter acontecido mais cedo, mas sofreu, pelo menos, dois atrasos. O primeiro foi provocado pelo lockdown de Xangai, quando a cidade passou dois meses sob rigoroso confinamento por causa do surto de covid. O segundo adiamento terá acontecido devido a dificuldades técnicas, mas as razões nunca foram esclarecidas.

Duplicar número de porta-aviões até 2035

Em todo o caso, com o lançamento deste navio, a China passa a ocupar o segundo lugar no ranking dos países com porta-aviões. Os Estados Unidos são, de longe, o país com mais porta-aviões em todo o mundo: dos 22 existentes, metade são norte-americanos (nestas contas não entram porta-helicópteros).

E estamos apenas a meio do caminho já traçado por Xi Jimping. Até 2035, Pequim quer duplicar para seis o seu número de porta-aviões. Uma missão possível, tendo em conta que até há 11 anos a China não tinha qualquer porta-aviões. O primeiro foi lançado em setembro de 2012, construído a partir de um navio soviético inacabado que Pequim comprou… à Ucrânia.

Dos seis porta-aviões que pretende até 2035, quatro deverão ter propulsão nuclear, o que permite missões em teatros operacionais mais distantes.

Pouco equipamento - se é que algum outro - projeta uma imagem de força e poder militar como um porta-aviões. O seu envio para qualquer parte do mundo costuma ser um sinal de aviso impossível de ignorar em momentos de tensão militar.

É o que tem acontecido, por exemplo, no Mar do Sul da China e no Estreito de Tawian, onde embarcações de guerra chinesas, norte-americanas, taiwanesas, japonesas e sul-coreanas se cruzam com frequência, acompanhando a escalada de tensão nestas partes do globo. O envio de porta-aviões dos EUA e da China costuma ser um ponto alto sempre que qualquer destes países pretende mostrar músculo.

Num momento em que os grandes países do Indo-Pacífico - da Índia à Austrália, passando pelo Japão e China, Coreia do Sul e Coreia do Norte - estão numa nova corrida às armas, o lançamento do terceiro porta-aviões chines não passa despercebido pela mensagem de poderio militar que transmite.

E, caso houvesse dúvidas, ficariam esclarecidas com as faixas visíveis na cerimónia desta sexta-feira na doca 4 do estaleiro de Jiangnam, em Xangai. "Alcançar poder de combate - lutar para construir uma Armada de classe mundial", lia-se numa dessas faixas.

A China já tem a maior marinha de guerra do mundo em número de navios - mas essa contabilidade é empolada por muitas embarcações de pequeno e médio porte. Mas Pequim não quer ter apenas a maior, também quer ter a Armada mais poderosa do mundo.

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