Apoiantes de André Ventura querem mais: “Se só um já faz diferença, imagine 10”

17 jan, 02:26

No arranque da campanha das Legislativas, André Ventura, que soprou 39 velas no sábado, foi recebido na Batalha, em Leiria, por dezenas de apoiantes e um bolo de aniversário. Aplausos, elogios e palavras de ordem fizeram a tarde do candidato do Chega, que se dirigiu aos comerciantes e empresários com promessas de acabar com “o sufoco fiscal” de António Costa.

No café Mestre Afonso, no centro da Batalha, Márcio Vieira, 41 anos, junta-se a um grupo de amigos para um convívio pré-campanha. É presidente desta concelhia e apoia o Chega desde o início. “As ideias que promovia eram as minhas ideias, mudar o rumo de Portugal”, conta, envergando um cachecol com as letras do partido – vestido a rigor, se o podemos dizer, fazendo-se notar. “Isto está cada vez pior, é só ladrões”, dispara, entre risos. E essa parece ser essa a sua batalha, mas mais política do que policial.

Maria Constança, uma criança que, Márcio Vieira intitula de “novo membro”, em tom de brincadeira, está a seu lado, atenta à conversa. Olha para ela como que a querer mostrar que é pelo futuro dos mais novos que está ali, é por ela que está na política. “Não sabemos que futuro vai ter, vemos sempre os mesmos a colocar na carteira deles, a apoiar os amigos, e os inimigos são encostados”. Os inimigos são os adversários políticos.

O pai de Márcio Veiga é apoiante local do Bloco de Esquerda, mas garante que o respeito é o segredo para a convivência familiar. “Ele diz que o Ventura - não, mas eu sei que, lá no fundo, o Ventura - sim”. A postura dos bloquistas nos últimos anos já não convence a família da mesma forma, e para o representante do Chega, este “é o único capaz de fazer mossa no Parlamento”. “Se só um já faz diferença, imagine 10”, conclui, numa operação matemática como no poema de António Gedeão que diz que o sonho comanda a vida.

André Ventura é polémico para uns, mas necessário para outros. À sua espera, no Largo Monte Afonso Domingues, no arranque da campanha, os apoiantes concentram-se e, de um momento para o outro, já nem se contam pelos dedos das mãos. São muitos, como Catarina Cardoso, 17 anos, que está na companhia do avô e da companheira. “A nossa taxa de natalidade está muito baixa e no futuro só vamos ter idosos e poucas crianças”, comenta a jovem, que ali mesmo já representa o futuro que refere. A família revê-se no Chega, apesar das medidas mais polémicas do partido, algumas vistas pela oposição como impulsionadoras da homofobia no país. Mas, a verdade é que, sobre a comunidade cigana, os três não hesitam: “Portugal tem que moderar as coisas, porque um cigano recebe mais quando outros também precisam".

Perto de um camião com a imagem de André Ventura em grande escala está João Carreira, de bandeira ao alto. Com apenas 20 anos, orgulha-se de representar a Juventude do Chega de Leiria há cerca de um ano, mesma altura em que este grupo surgiu. "Senti que era o único partido que nos poderia dar voz e servir os jovens da melhor forma", sobretudo em temas comuns a uma geração, como a habitação, o emprego e a emigração. Ainda não é uma juventude partidária oficial, mas para lá quer caminhar. "Há cada vez mais jovens interessados em lutar connosco", assegura. "Já temos um grupo considerável aqui em Leiria e temos feito um bom trabalho a nível nacional".

As atividades vão desde propostas para o partido, passando por sugestões para os programas políticos, até à participação em campanhas. "Somos uma veia de auxílio", conclui. 

"Ventura vai em frente, tens aqui a tua gente"

De repente sente-se uma agitação entre a multidão. O protagonista que todos aguardavam chega, finalmente, ao início da sua batalha por votos, na companhia da comitiva. À sua espera está um bolo de aniversário rodeado de dezenas de apoiantes. "Vamos cantar-lhe os parabéns!", exigem, em alvoroço. O candidato ouve, com um rasgado sorriso no rosto, e faz as honras: "todos têm direito a uma fatia!", assegura. 

Entre fotografias e elogios, fala do local que escolheu, enaltecendo "a teia empreendedora" e a "dimensão histórica" da Batalha, e dirige-se aos comerciantes e empresários. "Este sufoco fiscal que António Costa nos trouxe vai acabar", garante, servindo-se das sondagens que já o colocam em terceiro lugar na corrida das legislativas. "Só depende do voto no dia 30". A multidão aplaude e clama em voz alta "Ventura vai em frente, tens aqui a tua gente". 

Baixo salário e preços altos preocupam comerciantes

A caravana avança e percorre todos os espaços de comércio e restauração que em redor do Mosteiro da Batalha. Pelo caminho, distribui folhetos e apela ao voto com algumas palavras de alento. Palavras, essas, que foram recebidas por Manuel Lopes, de 70 anos, que se queixa de dificuldades na agricultura. "Está muito pobre na nossa zona, não temos condições para trabalhar, isto está muito mau", lamenta o produtor. A seu ver, as propostas de André Ventura poderão ajudar, "com mais algum apoio". 

O comércio "também está fraco", diz Isabel, de 72 anos, dona de uma barraca de frutos secos. "Vendemos hoje, vamos comprar amanhã e já é mais caro, e assim sucessivamente". Prefere abster-se em relação ao seu apoio, ou falta dele, a André Ventura, mas de uma coisa tem a certeza: "Tem que se mexer nisto tudo". "Porque é que em Portugal o ordenado é mais baixinho e os preços duplicam?", questiona-se, indignada. 

A arruada prossegue e André Ventura mostra-se resistente a comentários negativos que são lançados entre a multidão. "Tens de ladrar assim para os socialistas", diz o candidato para um cão mais irrequieto. Enquanto caminha é interrompido por vários brasileiros, a quem agradece os elogios. Por fim, deu por terminado o passeio tão confiante como quando o iniciou. 

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