Cavaco goza com quem o acha "arrogante e vaidoso" e diz que fez mais em dois anos do que Costa em oito

CNN Portugal , AM com Lusa
17 jan, 06:16
António Costa e Cavaco Silva

Trata-se de um texto publicado no Observador na qualidade de ex-primeiro-ministro. Cavaco Silva garante que os governos que liderou causaram espanto na Europa

O antigo Presidente da República Cavaco Silva compara o trabalho que fez enquanto chefe de governo com o que os executivos do PS realizaram nos últimos oito anos. Num artigo publicado esta quarta-feira no Observador, em que escreve na qualidade de ex-primeiro-ministro, Cavaco começa por lembrar “os leitores que nasceram depois de 1995 e aos que nasceram antes” que exerceu “as funções de primeiro-ministro entre 6 de novembro de 1985 e 28 de outubro de 1995”.

Irónico, Cavaco Silva diz que apesar da "falta de humildade e vaidade" que lhe são atribuídas, está absolutamente convencido de que durante os seus governos "o desenvolvimento de Portugal em todas as suas dimensões deu um salto em frente que muito surpreendeu a União Europeia".

No final do artigo, Cavaco Silva volta a provocar o PS e os analistas políticos sobre a "arrogância política e a vaidade" com quem em 1995 inaugurou a AutoEuropa e questionando quando é que será lançado o projeto semelhante que os socialistas têm falado. Fá-lo em tom de gozo.

“Cansado de lembrar a obra do meu governo nos dois últimos anos do seu mandato, esqueci-me de referir a arrogância política e a vaidade com que, no dia 26 de abril de 1995, no final da cerimónia de inauguração da fábrica de automóveis da AutoEuropa, conduzi um veículo nela produzido, dando uma volta à pista de ensaios. Faltavam seis meses para cessar as funções de primeiro-ministro. E a propósito: quando é que chega o outro projeto do tipo AutoEuropa de que o poder socialista tem falado?”

Trata-se do primeiro de dois textos publicados pelo também ex-Presidente da República no Observador. A segunda parte do artigo é divulgada na próxima terça-feira e é dedicada ao pecado da “arrogância política”.

No texto desta quarta-feira, Cavaco Silva lembra ainda o programa de erradicação das barracas das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, a conclusão do troço do IP4, para completar ligação entre Amarante e Bragança, a construção da Ponte de Freixo (no Porto) e da Ponte Vasco da Gama (Lisboa), o lançamento do concurso internacional para a introdução do comboio na Ponte 25 de Abril e, entre outros, a promoção para a criação da Portugal Telecom.

“O que fica escrito é suficiente para demonstrar que é compreensível que afamados analistas e cronistas políticos pensem que era natural que os ministros do governo sentissem alguma fadiga física, tal a dimensão da obra realizada nos últimos dois anos da minha década de primeiro-ministro, quando comparada com a dos oito anos do atual poder socialista”, observa.

Cavaco Silva afirma ainda que os “afamados analistas e cronistas políticos” que dizem que o seu Governo estava “cansado e arrogante” queriam “certamente exprimir a ideia de que tinha sido de tal dimensão a obra realizada nesse período final que era natural” que os membros do seu Governo “sentissem alguma fadiga física”.

“A minha satisfação por esta obra é tanto maior quanto ela foi realizada num tempo em que o Governo enfrentou uma forte oposição política - uma legítima, outra menos legítima”, salienta.

Cavaco Silva foi primeiro-ministro entre 6 de novembro de 1985 e 28 de outubro de 1995.

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