"Mudar de ministra sem mudar de política não adianta". Bloco de esquerda reage à demissão da ministra da Saúde

MM
30 ago, 11:13

Catarina Martins recusa responsabilizar em exclusivo Marta Temido pela situação no SNS e sublinha que “é responsabilidade de todo um Governo”

Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), considera que a situação que se vive no Sistema Nacional de Saúde (SNS) "tem vindo a acelerar-se e agravar-se” e deixa um alerta: “Mudar a ministra sem mudar a política não adianta absolutamente nada.”

"A responsabilidade da perda de condições do SNS e da perda das suas valências, a responsabilidade de um SNS ter cada vez menos capacidade não é a responsabilidade de uma ministra. é a responsabilidade de todo um Governo que decidiu não investir na capacidade instalada do SNS, que decidiu não acordar condições de trabalho para que os seus profissionais, formados no SNS, ficassem no SNS."

Em conferência de imprensa, reagindo à demissão da ministra da Saúde, a coordenadora do BE sublinhou que o caso da grávida que morreu durante uma transferência entre o Hospital de Santa Maria e o Hospital de São Francisco Xavier é uma “tragédia que não define o SNS nem os profissionais de Saúde, nem permite generalizações”.

Catarina Martins fala em desinvestimento sucessivo do Governo no setor da Saúde e pede medidas urgentes. "O SNS neste momento está fragilizado pela passividade de anos do Governo, que promete mudanças e as adia ano após ano. Precisamos agora que haja pressa. Não uma pressa por causa do nome do ministro, mas uma pressa por causa de alteração de políticas. Porque há profissionais que podem ser contratados para o SNS e não o são porque o Governo não quer. Porque continua a preferir pagar a empresas de prestadores de serviços o que não paga a quem segura os hospitais e as instituições de saúde todos os dias em Portugal”, considerou.

A coordenadora do BE espera que “não se continuem a adiar as decisões fundamentais para garantir que o SNS funciona”. Fala em "passividade do Governo" no que toca ao setor da Saúde.

"Há recursos financeiros para fazer investimentos estruturais no SNS para que o SNS possa funcionar nas melhores condições. Adiar investimentos, adiar carreiras que possam fixar profissionais no SNS tem sido a política do Governo e, na verdade, a demissão de uma ministra não resolve o problema. O que é urgente é que o Governo mude a sua política."

A ministra da Saúde, Marta Temido, apresentou esta madrugada a demissão, horas depois de a TVI e a CNN Portugal terem noticiado a morte de uma grávida que foi transferida do Hospital de Santa Maria por falta de vagas no serviço de neonatologia.

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