Porque é que pensar muito nos deixa exaustos?

CNN Portugal , DCT
12 ago, 23:39
Cansaço (Pexels)

Há quem diga que é preguiça, mas a ciência vem agora provar que empregos que requerem um trabalho cognitivo mais intenso podem resultar em fadiga

Um dia em frente a um computador, a uma calculadora ou a uma pilha de folhas para analisar em que cada segundo conta para manter o raciocínio deixa-o de rastos? É normal, as tarefas que requerem um trabalho cognitivo mais intenso podem resultar em estados de fadiga, tal como se a pessoa tivesse praticado exercício físico. E isso deve-se ao cérebro estar a tentar preservar-se a si mesmo.

A conclusão é de um recente estudo publicado na revista Current Biology, em que os investigadores franceses notaram que a fadiga que se sente após tarefas mentais complexas não é apenas uma forma de o cérebro querer algo mais estimulante, é órgão a dar sinal de que está em risco. Sabe-se agora que o esforço cognitivo gera um acúmulo e a difusão extra de moléculas essenciais para o bom funcionamento do cérebro, mas que, em excesso, são neurotóxicas e fazem com que o próprio cérebro tenha necessidade de parar. E a molécula em causa é glutamato, um neurotransmissor que funciona na memória e na aprendizagem.

Para chegarem a esta conclusão, os cientistas analisaram imagens de ressonância magnética dos 40 participantes que foram divididos em dois grupos: ambos tinham a mesma tarefa e o mesmo tempo de ‘trabalho’ (6,25 horas), mas num dos grupos era pedido um maior esforço na execução do desafio, de modo a que que se lembrassem de um maior número e combinações de letras maiúsculas e minúsculas e em cores diferentes que apareciam no ecrã do computador.

Ao analisarem essas imagens conseguiram perceber que os participantes com maior esforço cognitivo tinham maiores níveis de glutamato nas sinapses do córtex pré-frontal lateral, responsável pelo controlo cognitivo. Além disso, conseguiram perceber que essa acumulação tornava mais difícil o uso o córtex pré-frontal, o que resultou em escolhas mais impulsivas do que estratégicas por parte de quem tinha feito um esforço cognitivo maior. E, por isso, pediam mais recompensas pelo trabalho exercido. A perceção do nível de exaustão dos participantes foi também medida através de um questionário e veio confirmar o que os cientistas viram em laboratório.

Além disso, os participantes foram ainda alvo de um monitorização do movimento dos olhos (eye tracking) e os cientistas notaram que aqueles que tinham uma tarefa mental mais complexa apresentavam uma redução da dilatação das pupilas, fator comummente usado para medir o esforço de uma pessoa na hora de tomada de decisão.

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