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Análises ao sangue ou à urina podem detetar 14 tipos de cancro em fases iniciais, sugere estudo

6 dez 2022, 11:51
Análise sanguínea. (AP Photo/Luis Romero)

Este pode ser o ponto de partida para uma deteção precoce do cancro

Uma simples análise ao sangue ou à urina pode vir a detetar 14 tipos de cancro em fases iniciais. A conclusão é de um estudo publicado esta segunda-feira na revista PNAS, que se assume como o ponto de partida para a descoberta de uma forma não invasiva de deteção de cancro numa fase inicial.

Os investigadores realizaram uma prova de conceito com amostras de urina e sangue de 1.260 voluntários para analisar os níveis de glicosaminoglicanos, moléculas que podem relacionar-se com a presença de 14 tipos de cancro. Através desta análise, não só foi possível elevar a sensibilidade à deteção de tumores dos anteriores 10% para 62%, como se conseguiu prever a localização dos tumores com uma precisão de 89%.

Francisco Gatto, investigador do Instituto Karolinska, na Suécia, e autor principal do estudo, explica ao jornal El País que ainda faltam alguns passos para que este método chegue à prática clínica. "O próximo passo é confirmar numa amostra de mais de 10.000 participantes para avaliar o cenário em que faria mais sentido usar este método e, antes de ser aprovado para a deteção de muitos tipos de cancro, seriam necessários estudos de maior dimensão, com 100.000 participantes", ressalva.

O investigador acredita que este tipo de teste faria mais sentido em pessoas "com alto risco de cancro, com mais de 55 anos de idade ou com um histórico familiar de cancro". 

Francisco Gatto sugere ainda que estas análises poderiam ser combinadas com os testes que detetam se há presença no sangue de ADN tumoral circulante, derivado do tumor e presente na corrente sanguínea mesmo antes de haver sinais da doença nos pacientes. "A mesma amostra de sangue poderia ser utilizada para testar glicosaminoglicanos e dos marcadores genéticos. Esta combinação poderia ser suficiente para se converter num sistema único de diagnóstico", afirma o investigador.

Para garantir o acesso no mercado deste tipo de biópsias líquidas para detetar vários tipos de cancro numa fase inicial, Francisco Gatto fundou a empresa Elypta, que angariou 21 milhões de euros numa ronda de financiamento em junho passado para comercializar este tipo de testes. Se este projeto avançar, pode reduzir a mortalidade por cancro até 15%, segundo um estudo desenvolvido pela empresa Grail, que também faz este tipo de biópsias líquidas.

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