Livre lança anzol ao Bloco para acordo à esquerda, mas Catarina quer descolar do PS

4 jan, 18:55

Catarina Martins acusa de Livre de fazer propostas à medida do PS, partido de que o Bloco quer distância. Rui Tavares defende acordo à esquerda com todos disponíveis para negociar

O Livre procura um segundo arranque, depois da eleição e afastamento de Joacine Katar Moreira nas últimas legislativas. O Bloco procura manter-se como terceiro mais votado no Parlamento, o que as sondagens põem em risco. Os cabeças de lista dos dois partidos confrontaram-se esta terça feira num debate eleitoral, com Rui Tavares a querer puxar Catarina Martins para um acordo alargado de esquerda e a coordenadora do Bloco a afastar-se dele. Diferença entre ambos? O PS. O Livre quer “com PS”, o Bloco prefere “sem PS”.

Começaram com dificuldades em apresentar divergências, mas rapidamente se desentenderam. No debate, Catarina Martins e Rui Tavares olharam para a União Europeia, passaram para a intransigência do Bloco de Esquerda na discussão do Orçamento do Estado e terminaram com um possível acordo à esquerda.

O cabeça de lista do Livre por Lisboa, à semelhança do que fez no frente a frente com António Costa, lançou a Catarina Martins o desafio de haver "um pacto social, progressista e ecológico" à esquerda. Porque, defende, "todos devem estar dispostos a fazer numa negociação conjunta".

"A convergência não é só com o PS, lanço o desafio ao Bloco ao PCP, ao PEV e ao PAN. Precisamos de ter um orçamento rapidamente, um programa de governo à esquerda viabilizado se a esquerda tiver maioria”, lançou Rui Tavares. Mas Catarina Martins não se mostrou convencida e pediu aos eleitores que façam do Bloco a terceira força política nas eleições dia 30 de janeiro. 

"O Bloco quis, fez, propôs e fará um acordo à esquerda para o governo de Portugal e isso será feito com o Bloco de Esquerda reforçado como terceira força política" e acrescenta "é por isso que é importante que uma esquerda vá a eleições com vontade de um acordo para o país e com determinação para resolver os problema das pessoas". 

Não contente com a resposta, Rui Tavares partiu ao ataque: "Catarina chutou para canto exatamente como António Costa".

Vídeo: O debate entre o Bloco e o Livre em três minutos

De "enorme simpatia" para "propostas facilmente abraçadas pelo PS"

Catarina Martins referiu, logo no início deste debate, que nutria “uma enorme simpatia pelo programa do Livre”, mas depois desvalorizou o partido. Disse que faltava “concretização das medidas” e que algumas são “propostas facilmente abraçadas pelo PS”. Isto, além de "um erro", “é uma enorme armadilha”, porque depois “não têm uma concretização na vida das pessoas”, defendeu. Catarina acusou ainda Rui Tavares de falar em aumento do salário mínimo nacional, mas se esquecer da legislação laboral. 

"O programa da Livre não tem uma linha sobre uma necessidade absoluta de tirar as medidas da troika, que ainda estão no nosso código do trabalho, e que impedem objetivamente a valorização dos salários".

O líder e fundador do Livre também apontou falhas ao programa do Bloco de Esquerda como a falta de propostas para o "trabalho independente e microempreendedorismo", a inexistência de plano concreto para a TAP e as "poucas ou nenhumas" referências à economia circular. E esta foi a deixa para rumar à Europa. 

“O programa do Bloco sobre questões europeias é um programa que tem coisas com as quais concordamos (...), mas depois têm questões que não batem a bota com a perdigota", dando como exemplo, a eliminação das regras do mercado interno.

"A União Europeia é essencial para definir o modelo de desenvolvimento de que nós precisamos para o futuro em Portugal", defendeu Rui Tavares. 

Confrontada com o facto de ser menos europeísta do que o Livre, Catarina desmentiu: "Europeísta eu sou seguramente, eu sou de uma geração que entrou na universidade com o Erasmus, não imagino outro mundo que não seja também a Europa", mas não subscreve "uma União Europeia que paga a Erdogan para manter os refugiados do outro lado, uma União Europeia com arame farpado". Rui Tavares interrompeu para dizer que não existe um acordo entre a União Europeia e o presidente da Turquia, mas sim "um acordo entre os estados-membros, incluindo Portugal, em que cada estado-membro pode sair isoladamente".

A intransigência do Bloco

Regressando a Portugal, o líder do Livre referiu que o eleitorado à esquerda está "preocupado com a intransigência do Bloco de Esquerda e do PCP" e deu como exemplo as negociações do Orçamento do Estado.

"Quem não entende ainda se estamos frente a um Bloco de Esquerda ou um PCP mais da intransigência do que da convergência e votar no da convergência e depois não ter esse, pode apanhar grandes dissabores a seguir" e aproveitou para dizer que "uma esquerda que é claramente de convergência é com o Livre".

Catarina confessou-se "surpresa" por ouvir Rui Tavares a acusar o Bloco de intransigência: "parece quase António Costa a falar. Sabe que não é assim". 

“Não foi uma questão de o Bloco querer aquelas nove propostas e tinha de ser todas. O PS recusou todas. O PS recusou tudo porque quis criar uma crise política”. 

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