Bill Gates explica como a IA vai mudar as nossas vidas dentro de cinco anos

CNN , Jordan Valinsky
23 jan, 09:00
Bill Gates (Evan Agostini/Invision/AP)

Multimilionário acredita que a Inteligência Artificial será transformadora

Não é segredo que Bill Gates é um grande entusiasta da inteligência artificial, mas agora prevê que a tecnologia será transformadora para toda a gente nos próximos cinco anos.

A ascensão da IA provocou o receio de que a tecnologia venha a eliminar milhões de postos de trabalho no mundo inteiro. O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou na última semana que cerca de 40% dos empregos em todo o mundo poderão ser afetados pelo crescimento da IA.

Gates não discorda necessariamente dessa visão, mas acredita que a história mostra que com cada nova tecnologia vem o medo e só depois uma nova oportunidade.

"Tal como aconteceu com a produtividade agrícola em 1900, as pessoas pensavam: 'O que as pessoas vão fazer?' De facto, foram criadas muitas coisas novas, muitos novos tipos de empregos foram criados e estamos muito melhor do que quando todos faziam trabalho agrícola", disse Gates. "Isto vai ser assim."

Numa entrevista a Fareed Zakaria, da CNN Internacional, Gates previu que a IA tornará a vida de todos mais fácil, apontando especificamente para ajudar os médicos a tratar da burocracia, que é "parte do trabalho de que não gostam, podemos torná-lo muito eficiente".

Uma vez que não há necessidade de "muito equipamento novo", Gates afirmou que o acesso à IA será feito através "do telefone ou do PC que já tem ligado através da ligação à Internet que já tem".

Gates referiu também que as melhorias do ChatGPT-4 da OpenAI foram "dramáticas", uma vez que este consegue "essencialmente ler e escrever", pelo que é "quase como ter um trabalhador de colarinho branco para ser tutor, para dar conselhos de saúde, para ajudar a escrever código, para ajudar nas chamadas de apoio técnico". A incorporação desta tecnologia nos sectores da educação e da medicina será "fantástica", afirmou.

A Microsoft tem uma parceria multimilionária com a OpenAI. Gates continua a ser um dos maiores acionistas da Microsoft.

"O objetivo da Fundação Gates é garantir que o tempo que decorre entre beneficiar as pessoas dos países pobres e chegar aos países ricos seja muito curto", disse Gates a Zakaria em Davos, no Fórum Económico Mundial. "Afinal de contas, a falta de médicos e professores é muito mais grave em África do que no Ocidente".

O FMI, no seu relatório desta semana, tem uma visão muito menos otimista. O grupo afirmou que a IA iria aprofundar a desigualdade sem a intervenção dos políticos.

Doar a sua riqueza

Gates tem um património de 140 mil milhões de dólares, o que faz dele a quarta pessoa mais rica do mundo, de acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg. Mas provavelmente continuaria a ser a pessoa mais rica do mundo se não se tivesse comprometido a doar todo o seu dinheiro.

Ele disse à CNN que não se preocupa em perder a sua riqueza. "Tenho dinheiro mais do que suficiente para o meu próprio consumo", disse Gates quando Zakaria lhe perguntou como estavam a correr os esforços filantrópicos. "Estou a conseguir descer na lista, e ficarei orgulhoso quando cair completamente."

O cofundador da Microsoft e a sua ex-mulher, Melinda French Gates, comprometeram-se a doar a maior parte do seu património à fundação que criaram em conjunto há 20 anos, bem como a outros projectos filantrópicos.

Em 2022, Gates anunciou a intenção da fundação de doar 9 mil milhões de dólares por ano até 2026. Ele disse que está "animado porque vai ter impacto" para as organizações para as quais está a doar.

Gates disse que ele e os seus sócios como Warren Buffett doaram cerca de 100 mil milhões de dólares à sua fundação. A um ritmo de 9 mil milhões de dólares por ano, Gates prevê que terá doado todo o seu dinheiro em cerca de 20 anos.

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