Fernando Medina atingido por tinta verde por ativista climática. "Pelo menos sei que tenho uma apoiante relativamente à subida do IUC"

CNN Portugal , MJC - notícia atualizada às 18:50
20 out 2023, 18:11

Ativistas da Greve Climática Estudantil quiseram chamar a atenção para o facto de o Orçamento do Estado de 2024 não prever um plano para parar com a utilização de gás fóssil

O ministro das Finanças, Fernando Medina, foi atacado esta sexta-feira com tinta verde por uma ativista ambiental, durante uma aula aberta no auditório da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Medina falava sobre a proposta do Orçamento do Estado para 2024 quando foi atingido pela tinta verde por uma ativista que gritava "sem futuro não há paz". Depois de limpar alguma tinta da roupa, o ministro disse: "Pelo menos sei que tenho uma apoiante relativamente à subida do IUC", o que causou risos na audiência.

A jovem foi de imediato retirada da sala com a ajuda da polícia e após o incidente o ministro das Finanças continuou a sua aula. Os alarmes de incêndio da faculdade também foram ativados. Fora do auditório, um grupo de cinco jovens ativistas pelo clima continuava a protestar, tendo sido rodeados por vários elementos da PSP, acabando por ser transportados à força para fora do edifício da faculdade. Os seis ativistas foram levados para a esquadra 34 dos Olivais.

Fernando Medina, que prosseguiu a aula sem nunca ter saído do lugar, fazendo apenas uma pausa para limpar a tinta verde do rosto e do casaco, recusou, no entanto, à saída prestar declarações aos jornalistas sobre o sucedido.

O evento era promovido pelo IDEFF – Instituto de Direito Económico, Financeiro e Fiscal. A entrada era livre mas os lugares limitados, requerendo inscrição através de e-mail.

Este foi mais um protesto contra a "recusa do governo em fazer a transição justa que garante que temos um futuro", explica a porta voz, Beatriz Xavier, porta-voz da Greve Climática Estudantil, em comunicado. "Dissemos que não há paz até ao Último Inverno de Gás, e o orçamento não contempla um plano de como vamos parar de usar o gás fóssil", afirma a estudante de 19 anos. "Este é um passo essencial para nos mantermos dentro dos limites ditados pela ciência. Não é negociável, é uma necessidade existencial."

"O Governo continua a dar pequenos passos como se tivéssemos décadas para realizar a transição energética, temos até 2030. Este orçamento é o espelho deste Governo: negacionista e criminoso. Estamos em plena crise climática, como é possível o principal foco deste orçamento não ser uma transição justa para energias renováveis? Isto é um crime contra a nosso futuro e a nossa vida", diz ainda Beatriz Xavier.

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