"O malicioso regime sionista será punido": sete horas de mísseis (que até envolveram Portugal antes disso)

14 abr, 10:06
Drones iranianos a aproximarem-se de alvos em território israelita (EPA)

O Irão concretizou o que nunca tinha feito: um ataque direto a Israel. O mundo ficou ainda mais perigoso

Ainda não era meia-noite em Israel (menos duas horas em Portugal Continental) e o Irão lançava o primeiro de mais de uma centena de drones em direção a território israelita. A retaliação iraniana contra Israel era já esperada e envolveu até Portugal - o Irão capturou até um navio com pavilhão português que pertence a um bilionário israelita.

Foram sete horas de tensão, preocupação, pânico: mísseis atrás de mísseis, reuniões de emergência, conversas telefónicas entre chefes de Estado e Governo. Este sábado, o Médio Oriente deixou de ser palco apenas de uma guerra local e fez o mundo ficar em estado de alerta ainda maior.

Sete horas

  • Pelas 22h00 de Lisboa (24h00 em Israel), o jornal Haaretz dava conta do lançamento dos primeiros drones iranianos em direção a Israel, a já aguardada retaliação ao ataque mortal de Israel ao consulado iraniano em Damasco, na Síria, no início deste mês, como disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão. No início da madrugada, o ataque era ainda distante mas levou logo as Forças de Defesa de Israel a entrar em “alerta máximo”.  
  • Já com o ataque em curso, o tom de ameaça por parte do Irão manteve-se. Numa publicação na rede social X, Ali Khamenei, líder supremo do Irão, avisou que “o malicioso regime sionista será punido”. Já durante a noite, o Irão emitiu um novo comunicado, afirmando que não vai hesitar em tomar novas medidas “defensivas” para proteger os seus interesses de qualquer agressão militar. 
  • Minutos depois do lançamento do primeiro drone, a Casa Branca confirma o ataque iraniano em direção a Israel. Ao longo da noite, Israel interceptou “99%” dos mísseis 350 lançados pelo Irão (e através de terras indianas, como asseguram as IDF), segundo o jornal Haaretz. Os militares de Israel disseram que trabalharam em estreita colaboração com os EUA, Reino Unido e França
     
  • O Médio Oriente entrou em estado de alerta, com vários países a adotarem medidas defensivas. O Iraque foi o primeiro a fechar o seu espaço aéreo. Fontes do exército informam que a Síria colocou em alerta máximo os seus sistemas de mísseis, incluindo os sistemas de defesa antiaérea Pantsir (fabricados na Rússia), em torno da capital, Damasco, e em bases importantes, devido à previsão de um possível ataque israelita. Também o Egito apelou ao exército para manter a “máxima contenção” e colocou a defesa aérea em alerta máximo.
     
  • O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, convocou o gabinete de guerra e passou a noite em reuniões e conversas telefónicas, incluindo com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que disse que os EUA “se dedicam à defesa de Israel”. “O nosso compromisso com a segurança de Israel contra as ameaças do Irão e dos seus representantes é inflexível”, disse Biden num comunicado, citado pela CNN Internacional.
  • A pedido de Israel, o Conselho de Segurança da ONU vai reunir-se de emergência ainda domingo. Também os chefes de Estado e de Governo do G7 vão realizar uma videoconferência hoje ao início da tarde "para debater o ataque iraniano contra Israel"
     
  • Em pleno ataque, também os Houthis do Iémen lançaram drones contra Israel. Telavive acionou ainda um alarme no norte do país devido a foguetes lançados do Líbano.
     
  • Apesar de o general Mohammad Bagheri, chefe das forças armadas iranianas, ter dito que o ataque realizado durante a noite contra Israel “alcançou todos os seus objetivos”, a retaliação iraniana não teve o impacto esperado por Teerão e causou apenas alguns danos a uma infraestrutura militar no sul de Israel. Não há, para já, relatos de vítimas mortais, sabe-se apenas que uma criança ficou ferida com gravidade.
     
  • Ao longo da noite, vários chefes de Estado e de Governo, incluindo o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, e ainda o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, vieram condenar o ataque iraniano a Israel.
  • Pelas 7h00 da manhã em Telavive (mais duas horas em Lisboa), Israel volta a abrir o seu espaço aéreo. Também o Iraque, o Líbano e a Jordânia anunciaram a reabertura dos respetivos espaços aéreos.

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