Arménia pede ajuda à Rússia após ataques do Azerbaijão. "Soberania é uma linha vermelha para nós"

14 set, 19:39
Negociações entre Arménia e Azerbaijão, mediadas pela Rússia (AP)

Governos de Erevan e Baku têm-se acusado mutuamente de espoletar os confrontos, os mais graves desde a guerra de um mês e meio entre os dois países em 2020 pelo controlo da região de Nagorno-Karabakh, que matou milhares de soldados de ambos os lados e só terminou com um cessar-fogo intermediado por Moscovo

O primeiro-ministro da Arménia Nikol Pashinyan pediu ajuda militar à Rússia e a mais quatro países para tentar conter os ataques do Azerbaijão ao seu território, que já mataram mais de cem militares desde a madrugada de terça-feira.

O chefe do governo de Erevan invocou esta quarta-feira o artigo 4.º do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), assinado em 1992 por Arménia, Rússia, Cazaquistão, Bielorrússia, Quirguistão e Tajiquistão, e avisou que implementaria a lei marcial caso a violência escalasse.

"A soberania da República da Arménia é uma linha vermelha para nós", afirmou Pashinyan, citado pela Bloomberg.

Arménia e Azerbaijão têm-se acusado mutuamente de espoletar os confrontos, os mais graves desde a guerra de um mês e meio entre os dois países em 2020 pelo controlo da região de Nagorno-Karabakh, que matou milhares de soldados de ambos os lados e só terminou com um cessar-fogo intermediado pela Rússia.

Fonte do governo azeri refere que apenas respondeu a “provocações arménias”. Por seu turno, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Arménia, Paruyr Hovhannisyan, acusou Baku de aproveitar a guerra na Ucrânia para atacar o país vizinho.

"Precisamos de mais atenção da comunidade internacional para o que aconteceu - merecemos mais atenção. Mencionou a guerra na Ucrânia - é exatamente isso que o nosso vizinho espera: que toda a atenção esteja lá e que não haja uma reação adequada por parte dos nossos principais parceiros", defendeu Hovhannisyan, citado pela Sky News.

Os países também revelam números diferentes quanto às alterações de controlo dos territórios. Os meios de comunicação estatais do Azerbaijão alegam que o país conquistou 100 km2 de território aos arménios desde terça-feira. Por seu turno, Pashinyan afirma que o inimigo tomou o controlo de apenas 10 km2, a que se juntam os 40 já perdidos em maio.

Os dois Estados do Cáucaso disputam a região de Nagorno-Karabakh desde a obtenção da independência face à União Soviética. Este território, reconhecido internacionalmente como parte do Azerbaijão, é povoado quase inteiramente por habitantes étnicos arménios, e tem sido alvo de cobiça por parte dos dois países.

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