A cidade no deserto da Arábia Saudita num edifício único ao longo de 170 quilómetros

28 jul, 11:09

Localizado junto ao mar Mar Vermelho, o edifício terá capacidade para nove milhões de pessoas

A Arábia Saudita apresentou esta semana os pormenores do ambicioso projeto urbano "The Line", que será uma cidade dentro de um edifício único, que se estenderá pelo deserto, ao longo de 170 quilómetros.

De acordo com o comunicado sobre o projeto, que levará vários anos para ser construído, o edifício terá capacidade para nove milhões de pessoas.

A CNN Internacional, que cita o anúncio do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, avança que o "The Line" vai ser construído perto do Mar Vermelho, terá 200 metros de largura, 34 quilómetros quadrados, e está projetada para ficar 500 metros acima do nível do mar.

Os detalhes ainda são escassos, mas sabe-se que dentro do edifício não existirão estradas, nem carros, mas sim um comboio de alta velocidade, que permitirá aos habitantes irem de uma ponta à outra em 20 minutos.

O “The Line” faz parte do plano de reposicionamento saudita (Vision 2030) que quer rivalizar com os Emirados Árabes Unidos e transformar o país no centro do turismo e tem como objetivo atingir 100 milhões de viajantes anuais até 2030, esperando-se que o aumento de turistas impulsione a economia local em mil milhões de dólares.

The Line (NEOM)

Críticas à Arábia Saudita

De acordo com a Human Rights Watch, a mão de obra na Arábia Saudita é principalmente constituída por trabalhadores imigrantes, chegando a representar mais de 80% no setor privado. A organização tem criticado inclusive o sistema de vistos do país (kafala), que dizem ajudar na violação dos direitos dos trabalhadores imigrantes na região, principalmente no não pagamento de salários e na apreensão de passaportes.

Embora o governo saudita tenha introduzido alterações periódicas na lei do trabalho, a natureza limitada e a aplicação negligente fizeram com que práticas exploratórias e perigosas continuassem.

O "The Line" é apenas um dos projetos da empresa da Arábia Saudita e abrange três países, tendo começado a ser construído em 2019. No entanto, apesar do entusiasmo com o projeto, o mesmo tem sido alvo de dúvidas e classificado como "distópico" por parte dos críticos.

Isto porque, segundo o comunicado à imprensa, a cidade funcionará apenas com energia limpa e com a ajuda de inteligência artificial, havendo ainda no projeto empregados robôs, táxis voadores e até uma lua artificial gigante.

“Os projetos […] vão desafiar as tradicionais cidades planas e horizontais e vão criar um modelo de preservação da natureza e melhoria da habitação humana. O “The Line” vai enfrentar os desafios que a humanidade enfrenta na vida urbana atualmente e revelará novas formas alternativas de viver”, afirmou bin Salman.

O projeto é financiado com 491 milhões de euros do governo saudita e do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (fundo soberano presidido por bin Salman), para além de fundos de investidores locais e internacionais.

Previsto para 2025, os atrasos no projeto fazem com que a data seja agora 2030, apesar do príncipe herdeiro insistir que a data inicial se mantém.

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