A indústria tecnológica enfrenta há vários meses uma escassez de chips de memória, impulsionada pelo aumento da procura por parte dos centros de dados utilizados para desenvolver e operar sistemas de inteligência artificial
A Apple alertou esta segunda-feira para uma escalada "sem precedentes" no preço dos chips de memória, num contexto de forte concorrência com os centros de dados dedicados à Inteligência Artificial pelo acesso a estes componentes.
A empresa admite que o aumento dos custos poderá reduzir as margens de lucro, apesar de as receitas terem superado as expectativas dos analistas, segundo o The Guardian.
"O que estamos a observar atualmente nos preços da memória é sem precedentes", afirmou John Ternus, novo presidente executivo da tecnológica, numa conferência com investidores realizada na segunda-feira. O responsável antecipou ainda que os custos destes componentes serão mais elevados no quarto trimestre deste ano do que nos três meses anteriores. Perante esta evolução, as ações da Apple recuaram 2,75% nas negociações após o fecho de Wall Street.
A indústria tecnológica enfrenta há vários meses uma escassez de chips de memória, impulsionada pelo aumento da procura por parte dos centros de dados utilizados para desenvolver e operar sistemas de inteligência artificial. O responsável pela marca explicou que a decisão de aumentar os preços dos iPad e dos MacBook, em junho, e dos iPhone, em setembro, permitiu compensar parcialmente o impacto desta subida nos custos.
Apesar da pressão sobre as margens, a Apple apresentou receitas acima do previsto no terceiro trimestre do seu ano fiscal, entre julho e setembro, proporcionando um início positivo ao mandato de Ternus, que assumiu funções em setembro.
A empresa registou lucros de 30,71 mil milhões de dólares (cerca de 27,45 mil milhões de euros), equivalentes a 2,10 dólares por ação, mais 12% do que os 27,47 mil milhões de dólares e 1,85 dólares por ação contabilizados no mesmo período do ano anterior. As receitas também cresceram 12%, passando de 102,5 mil milhões (cerca de 91,80 mil milhões de euros) para 114,5 mil milhões de dólares (cerca de 102,37 mil milhões de euros). Os resultados incluíram ainda cinco cêntimos por ação provenientes de reembolsos de tarifas aduaneiras.
Ao The Guardian, Jacob Bourne, analista da Emarketer, sublinhou que as receitas recorde do iPhone e o crescimento na China demonstram a capacidade de resistência do negócio da Apple. O analista considera ainda que a abordagem mais moderada da empresa ao investimento em infraestruturas de inteligência artificial tem ajudado a preservar o fluxo de caixa.
As parcerias com empresas como a Alphabet poderão, por outro lado, permitir reforçar as capacidades da Apple nesta área sem assumir os mesmos riscos financeiros dos concorrentes, que enfrentam dúvidas dos investidores devido aos elevados investimentos em inteligência artificial.