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Coordenadora Digital CNN Portugal

O Combate dos Chefes (Dia 11): previsões só no fim do jogo

27 jan, 09:45
António Costa e Rui Rio no 11º dia de campanha eleitoral.

Rui Rio acredita numa “banhada”, António Costa pede-lhe “humildade”. Os números do crescimento económico vieram para a campanha, porque 4,6% não são 4,8% e o INE viu-se metido num 31. A três dias das eleições, é só fazer as contas

Tique-taque. Tique-taque. A campanha entra na reta final e é preciso usar todos os trunfos na caça ao voto. O “programa escondido” do PSD, a “campanha negra” do PS. Já não há piadas nem gatinhos, António Costa e Rui Rio vão a combate com tudo. Da minha parte resta-me agradecer, pois, pelo título da crónica, facilmente se percebe como foi isto que sempre esperei.

Quanto a prognósticos, diria um sábio pensador do futebol português que só no fim do jogo. Mas não Rui Rio, que viajou na máquina do tempo até 1980 e à luta eleitoral entre a FRS e a AD para equiparar as duas campanhas socialistas: “Bom, levaram uma banhada”. Já tínhamos ouvido muitas formas de falar em maioria absoluta, mas penso que nenhuma é tão técnica quanto esta. Para o presidente do PSD, tudo o que vem de Costa é “difamação” e os eleitores não vão nessa. “Pelo menos as pessoas mais inteligentes do eleitorado não são enganadas com isto de certeza”. A confiança é tanta que o resultado vai virar QI.

Já António Costa prefere esperar para ver. O adversário tem “direito” a ter as suas “ambições”, mas aconselha-se “humildade de aguardar” por domingo. “Porque verdadeiramente só os portugueses é que conhecem o resultado destas eleições”. Como assim, vocês já sabem quem vai ganhar e não dizem nada? Deve ser por isso que depois a abstenção é tão alta: quem é que se vai dar ao trabalho de votar se já sabe como vai acabar? Bom, os portugueses podem não ser excelentes a ir às urnas, mas a guardar segredos sim, senhor.

E por falar em segredos, há um que está mais ou menos bem guardado até segunda-feira. Costa disse que o país cresceu 4,6% no ano passado, mas o INE garante que ainda nem fez as contas – só no dia 31 saberemos se “as previsões”, por acaso, se confirmam. Se o primeiro-ministro acertar, será impossível não elogiar este tiro certeiro feito, por acaso, durante a campanha.

Mas claro que Rui Rio veio sublinhar que estas “previsões”, por altura da discussão do Orçamento do Estado, até falavam num crescimento económico de 4,8%. “Ele achou que aquilo era um número fantástico, mas até está um número um bocadinho abaixo daquilo que eram as projeções do Governo". Realmente, quando se quer difamar, pega-se em qualquer banhada.

Das previsões económicas, para as previsões políticas: Costa insiste que só o PS vai governar sem “ficar refém da extrema-direita”, mas Rio faz outras contas. Como “quantos mais votos tiver o Chega mais facilmente António Costa continua como primeiro-ministro”, então António Costa até é “um dos interessados em que o Chega tenha uma grande votação”. As pessoas mais inteligentes saberão interpretar isto, mas dá ideia que os dois principais líderes partidários passam demasiado tempo a discutir quem é que até tem um amigo que é da extrema-direita.

“Quando ele quiser debater política, debatemos política”, atirou Costa, a fechar o 11º dia de campanha. Por favor, não comecem agora com isso. Era o que faltava, ninguém aguentaria. Já falta pouco, sejam fortes, mantenham-se convictos no combate e nos soundbites. Tique-taque. Tique-taque. 

Resultado acumulado da campanha: António Costa 6 – Rui Rio 6

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