opinião
Diretor de Informação da TVI

Costa ou Rio? Venha o diabo e escolha

22 dez 2021, 22:01

Um dos erros mais comuns na política portuguesa é achar que o eleitor é estúpido. Que um congresso – como o do PSD – cheio de judas a “beijar” o líder a quem desejam a morte politica é suficiente para ludibriar o eleitorado. Ou que as declarações públicas de amor de Pedro Nuno Santos a António Costa conseguem apagar a ambição do primeiro em ocupar o lugar do segundo. Muitos dirão: é a política. Eu digo: isto é tudo menos política.

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Política é pensar estrategicamente o país. É dar bom uso ao dinheiro dos impostos dos eleitores, em vez de os esmifrar e de os deixar ao abandono na saúde, na doença, na juventude ou na velhice. É ter a coragem de fazer as reformas que coloquem a economia a crescer, em vez de andar a distribuir migalhas por quem nunca soube o que era um pão. Política é ter um plano, ter a habilidade para o executar, entregar e responder pelos resultados. Em Portugal, nós não sabemos o que é política há várias décadas.

E há dois grandes responsáveis por isso: PS e PSD. Os chamados partidos do centrão, que governaram o país deste a instauração da democracia, foram, ao longo dos anos, rodando entre si no poder, como se a política portuguesa não tivesse nada mais para oferecer. E a verdade é que não teve.

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A esquerda só existe eleitoralmente se a resumirmos a partidos de protesto, porque – como os últimos seis anos demonstram – quando se aproxima do poder, acaba “chamuscada” e foge de medo do próximo ato eleitoral.

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A direita, essa, desapareceu quando Paulo Portas largou o CDS. Para o bem e para o mal, Portas nunca teve medo de assumir as responsabilidades que o poder acarreta. Algo que o Bloco e o PCP nunca quiseram assumir. Com a saída de cena de Paulo Portas, caiu a parede que se tinha erguido à direita e o país vai agora – infelizmente – começar a conhecer melhor o esgoto de uma “extrema-direita” de pacotilha.

Nas próximas eleições – e não são precisas grandes sondagens para o comprovar – continuamos, por isso, resumidos a escolher entre um de dois candidatos a primeiro-ministro: António Costa ou Rui Rio. PS ou PSD. E isto representa um risco enorme para o país: qualquer que seja o vencedor, o risco de andar, nos próximos anos, num exercício de equilibrismo político, feito no arame e sempre à espera da próxima crise política, é muito sério. Haja uma solução à esquerda, à direita ou de bloco central, dificilmente alguma delas servirá para retirar o país desta letargia em que se encontra.

Uma maioria absoluta, dirão alguns, resolveria esse problema. Eu digo: podia, mas…

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Comecemos por Rui Rio, o líder que, quando espicaçado, se transforma num buldózer capaz de destruir todos os que se lhe colocam à frente. Três dias de congresso a falar para o país, zero ideias. Zero propostas. Percorrendo de A a Z todas as áreas da governação – e definindo-as todas como prioritárias –, Rio falou de tudo, sem dizer rigorosamente nada.

É o espelho dos últimos quatro anos à frente do PSD. O líder social democrata encurralou-se sempre na sua reforma do sistema político – como se a redução do número de deputados resolvesse algum problema –, nos ataques à justiça – sem propostas para a tornar mais célere e eficiente – e à comunicação social, mantras que têm tanto de inconsequentes como, muitas vezes, de incoerentes.

Temos, depois, António Costa, o primeiro-ministro que “sobreviveu” politicamente enquanto a esquerda deixou e que, ao dia de hoje, pede uma maioria para governar – o que diz muito sobre o quão instrumental foi a esquerda para ele –, mas que é incapaz de apresentar ao país um projeto político de médio/longo prazo que não se resuma a um punhado de promessas ao eleitorado mais conveniente.

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Afinal, de que serviram os milhões injetados no Serviço Nacional de Saúde, ao longo dos últimos anos, se os hospitais públicos continuam a funcionar à custa do sangue, suor e lágrimas dos seus profissionais e, muitas vezes, sem dar o mínimo de dignidade aos seus doentes? Onde está o médico de família prometido em 2015 a todos os portugueses? Onde está o crescimento económico que nos coloca na linha da frente da Europa? Que valorização foi dada aos professores e que exigência temos num sistema de ensino desenhado para fazer boa figura nas estatísticas?

Depois do Natal e do Ano Novo, mergulharemos num mar de debates, entrevistas e ações de campanha eleitoral, durante um mês. Nas televisões, nas rádios e nos jornais. Eis, aí, uma boa oportunidade para cada um dizer ao que vem. Não será por falta de cobertura dos órgãos de comunicação social – que tantos gostam de transformar cinicamente no bombo da festa nestas ocasiões – que cada partido, cada líder político, não terá espaço para debater, explicar e justificar as suas propostas. Assim elas existam e sejam, de facto, novas. Porque, caso contrário, aquelas que podem ser das eleições mais importantes do país só servirão para afastar ainda mais o eleitorado das urnas.

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