"Outros não o fizeram quando eu assumi funções e sei bem o que isso teve de custo para o país": Costa deixa Conselho Europeu "com orgulho" e lembra atitude de Passos Coelho

CNN Portugal , ARC
22 mar, 16:18
António Costa no último Conselho Europeu

António Costa despediu-se do Conselho Europeu esta sexta-feira, onde tranquilizou os líderes europeus quanto à "confiança que todos devem manter" em Portugal e no novo primeiro-ministro Luís Montenegro

Não se despede com “mágoa” mas com “orgulho”. António Costa sai do seu último Conselho Europeu enquanto primeiro-ministro português, onde tranquilizou os líderes europeus relativamente ao próximo Governo liderado por Luís Montenegro, com quem já se reuniu. Na despedida, Passos Coelho não escapou à mira de Costa.

“Mágoa não. Devo confessar com alguma imodéstia que saio até com algum orgulho, a tentar relembrar como tudo começou há oito anos, com muito ceticismo sobre a possibilidade de conseguirmos cumprir as regras europeias”, confessou o primeiro-ministro cessante, em declarações aos jornalistas, depois de uma cimeira especialmente dedicada aos conflitos no Médio Oriente e na Ucrânia.

E não faltou tempo para recordar o trabalho feito ao longo dos últimos oito anos. “Também não escondo que tenho algum orgulho de verificar como, ao longo destes oito anos, Portugal foi um dos países estáveis e a possibilidade que Portugal tem de se manter, de ter boas relações com todos os Estados-membros, de ser sempre uma parte da solução e nunca uma parte do problema e mesmo quando tem um problema apresentar sempre uma solução”, disse.

Costa reconhece, no entanto, a vontade de ter ido mais longe em determinados temas. “Acho que a nossa ambição é sempre poder ir mais além”, afirmou, nomeadamente no que toca a um orçamento da zona Euro, que defendia e que não se concretizou. “Acho que a necessidade de haver uma capacidade orçamental própria da zona Euro, é muito importante. Era necessária e continua a ser necessária.”

E se não vai ser voz ativa na oposição da política interna, como garantiu na quinta-feira, o mesmo não se pode dizer no que toca à política europeia e internacional. “Espero ultrapassar esta minha rouquidão e a minha voz poder continuar a ser ouvida e a ser clara”, garantiu, questionado sobre a disponibilidade para ser se manter ativo nestes domínios.

Na despedida, António Costa tranquilizou também os líderes europeus, que o celebraram, quanto ao seu sucessor, com quem já esteve reunido. “O que fiz e que acho que é o dever de qualquer primeiro-ministro é transmitir a confiança que todos devem manter no nosso país e naqueles que, democraticamente, os portugueses escolheram para governar o país. Nunca me passaria pela cabeça fazer o contrário e, neste caso, estou em particulares condições e com facilidade de o poder fazer”, garantiu, depois de na quinta-feira recomendar a Montenegro que siga a sua “trajetória”.

Caminho este que começou sem a ajuda do antecessor, como lembra, numa clara referência a Pedro Passos Coelho. “Sempre o faria, mas faço-o também, não esquecendo que outros não o fizeram quando eu assumi funções E sei bem o que é que isso teve de custo para o país, teve custo para a ação governativa e costuma-se dizer que não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti, eu nunca faria aos outros o que não gostei que me fizeram a mim.”

Mas esta é mesmo a última ida de Costa a Bruxelas? “Isso não sabemos, porque até dia 2 ainda posso ter de voltar”, brincou.

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