Zelensky pede ao Ocidente para proibir a entrada de "qualquer tipo de russo", sejam a favor ou contra a guerra. Há polémica

9 ago, 11:25
Volodymyr Zelensky (AP Photo/Natacha Pisarenko)

"A população russa escolheu este governo e não está a lutar contra ele, não está a discutir com ele, não está a gritar com ele. Não querem ser isolados? Estão a dizer ao mundo que ele deve viver de acordo com as vossas regras. Então vão morar na Rússia", diz o presidente ucraniano

Volodomyr Zelensky afirmou em entrevista ao Washington Post que a maneira de impedir que a Rússia continue a anexar território da Ucrânia era se os países ocidentais anunciassem que iriam proibir a entrada dos cidadãos russos nos seus países. "As sanções mais importantes seriam o fecho das fronteiras – porque os russos estão a tirar as terras de outras pessoas", afirmou, acrescentando que os russos "deveriam viver no seu próprio mundo até que mudem a sua filosofia".

As declarações de Zelensky seguem a mesma linha das do secretário de Estado norte-americano Antony Blinken, que alertou que qualquer tentativa russa de realizar referendos pode levar a "custos adicionais a serem impostos à Rússia". No entanto, não especificou que custos seriam esses. 

Quanto à exclusão de cidadãos russos, vários críticos desta possibilidade já afirmaram que a posição seria injusta para aqueles que não concordam com as decisões do governo de Putin e a invasão da Ucrânia. Zelensky mostra-se indiferente e afirma que essa distinção entre cidadãos não tem interesse. "Qualquer tipo de russo, façam-no ir para a Rússia. Eles irão perceber. Eles vão dizer: 'Isto não tem nada que ver connosco. A população inteira não pode ser considerada responsável, pois não?' Pode. A população escolheu este governo e não está a lutar contra ele, não está a discutir com ele, não está a gritar com ele. Não querem ser isolados? Estão a dizer ao mundo que ele deve viver de acordo com as vossas regras. Então vão morar na Rússia. Esta é a única maneira de influenciar Putin", afirmou.

Zelensky levanta espetro do desastre de Chernobyl

No seu habitual vídeo diário, Volodymyr Zelensky levantou segunda-feira o espetro do desastre de Chernobyl e pediu novas sanções contra a Rússia, na sequência de novas ataques contra a central nuclear de Zaporizhzhia, ocupada pelos russos. "O mundo não deve esquecer Chernobyl e o facto de que Zaporizhzhia é a maior central da Europa. O desastre de Chernobyl [em 1986] foi a explosão de um reator e a central de Zaporizhzhia tem seis reatores", disse na noite de segunda-feira,

O local da fábrica de Zaporizhzhia, no sul da Ucrânia, está sob controlo russo desde 4 de março. Foi bombardeada duas vezes no final da semana passada, incluindo perto de um reator. Kiev e Moscovo culparam-se mutuamente pelos ataques. "São necessárias novas sanções contra o Estado terrorista e toda a indústria nuclear russa, que está a criar a ameaça de uma catástrofe nuclear", disse Zelensky.

O reator número 4 na central de Chernobyl explodiu a 26 de abril de 1986, causando o maior acidente nuclear civil e libertando uma nuvem radioativa que se espalhou por toda a Europa.

Um conflito de alta intensidade assola a Ucrânia desde 24 de fevereiro, quando o Presidente russo, Vladimir Putin, ordenou ao seu Exército que invadisse o país.

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