"O Brasil não pode estar dependente da TAP". Grupo Vila Galé desafia "low cost" a voar para o Brasil

27 ago, 22:55
Alagoas, Brasil

Grupo Vila Galé inaugurou a décima unidade no Brasil. No país, o negócio dá alguns sinais de preocupação. Daí que o empresário Jorge Rebelo de Almeida encontre nas alternativas aéreas à TAP uma forma de diversificar as origens dos hóspedes, com uma operação hoje assente quase na totalidade no mercado interno

O presidente do grupo hoteleiro Vila Galé, Jorge Rebelo de Almeida, desafiou este sábado as companhias aéreas “low cost” [de baixo custo] a voar para o Brasil, criticando os preços praticados pela TAP.

“É uma coisa que eu ando a apelar há algum tempo, que venha uma ‘low cost’ para o Brasil. Neste momento, os preços estão proibitivos”, afirmou, lembrando as tarifas praticadas pela transportadora portuguesa. O empresário insistiu que diversificar a oferta de transporte aéreo entre a Europa e este país da América Latina é a “prioridade número um”.

“O Brasil não pode estar dependente da TAP”, resumiu. Jorge Rebelo de Almeida recorreu mesmo ao exemplo dos Açores, onde a cadeia está a preparar uma nova unidade, para acentuar a crítica: “O preço da TAP é três vezes o preço da Ryanair. E o serviço é igual”.

Em Barra de Santo Antônio, no Brasil, o hoteleiro explicou que, com mais transportadoras aéreas a voar para o Brasil, onde o grupo tem 10 unidades, seria possível reduzir a dependência do mercado interno. Neste momento, os turistas brasileiros representam mais de 90% dos clientes dos hotéis Vila Galé neste país.

“Quedazinha”. Negócio no Brasil abaixo do esperado

Esta é uma reação também ao desempenho do grupo no Brasil este ano, com um resultado 5 a 8% abaixo do esperado, tendo em conta os dados do segundo trimestre. “Este ano deu uma quedazinha”, revelou Jorge Rebelo de Almeida, que lidera aquela que é a maior cadeia de resorts no Brasil.

O empresário admitiu que um dos fatores a justificar este desempenho está na proximidade do ato eleitoral que irá decidir o próximo presidente do Brasil, numa disputa protagonizada por Jair Bolsonaro e Lula da Silva. “Seja qual for o resultado das eleições, não vamos desistir. Estamos aqui de pedra e cal”, assegurou.

Hotel Vila Galé Alagoas

Ao 10º hotel no Brasil, a expansão continua

O grupo Vila Galé inaugurou oficialmente este sábado a décima unidade no Brasil, o Vila Galé Alagoas. O investimento de 150 milhões de reais (cerca de 30 milhões de euros) localiza-se em Barra de Santo Antônio, no estado de Alagoas. Com 513 quartos, já criou 300 postos de trabalho. Aos 10 hotéis no Brasil, juntam-se outros 27 em Portugal.

“Não vamos parar por aqui. Este empreendimento começou em plena pandemia, em outubro de 2020”, lembrou. O compromisso é o de continuar a apostar em território brasileiro. Na calha estão, pelo menos, duas novas unidades nos estados do Ceará e do Maranhão, a que se juntam expansões em unidades já existentes.

Em Portugal, até 2024, a cadeia está a preparar aberturas em Ponta Delgada, Tomar, Beja e Ponte de Lima. O valor total do plano de expansão não está fechado, explicou o empresário, porque os “custos dos materiais de construção no Brasil têm subido muito”, dificultando as contas finais.

A caminho de Cuba?

Presente em Portugal e no Brasil, o grupo Vila Galé poderá estar a caminho do terceiro país: Cuba. Jorge Rebelo de Almeida revelou que a empresa foi convidada “pelo governo para fazer a administração de três hotéis em Cuba”. Contudo, à CNN Portugal, adiantou que não está ainda tomada a decisão quanto a este passo na internacionalização.

*o jornalista viajou para Barra de Santo Antônio, no Brasil, a convite do grupo Vila Galé.

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