Covid-19: “sangramento menstrual intenso” classificado como efeito colateral das vacinas da Pfizer e Moderna

28 out, 15:04
Vacinação de crianças contra a covid-19 (Manuel Fernando Araújo/Lusa)

O impacto das vacinas contra a covid-19 na saúde menstrual já levantava algumas dúvidas à comunidade científica e a Agência Europeia do Medicamento classificou agora o “sangramento menstrual intenso” como efeito colateral

Episódios de  “sangramento menstrual intenso” passaram, desde esta sexta-feira, a figurar na lista de efeitos colaterais das vacinas contra a covid-19 Comirnaty e Spikevax, da Pfizer e Moderna, respetivamente.

O alerta foi emitido pelo Comité de Avaliação do Risco em Farmacovigilância (PRAC, sigla em inglês) da Agência Europeia do Medicamento (EMA) em comunicado, onde dá conta de que se trata de “um efeito colateral de frequência desconhecida”.

O impacto das vacinas contra a covid-19 na saúde menstrual já estava a ser questionado pela comunidade científica, depois de mulheres relatarem desregulamentados menstruais e menstruações mais intensas nos dias ou semanas após receberem a inoculação. Exemplo disso é um estudo da Universidade de Granada (UGR), em Espanha, que identificou alterações na menstruação provocadas pelas vacinas contra a covid-19 que afetam a duração do ciclo, provocam dor ou diferentes sintomas pré-menstruais. Mas outros estudos estão ainda em andamento e envolvem também a vacina da AstraZeneca, que não foi, porém, incluída no alerta da EMA.

“O sangramento menstrual intenso (períodos intensos) pode ser definido como sangramento caracterizado por um aumento de volume e/ou duração que interfere na qualidade de vida física, social, emocional e material da pessoa. Casos de sangramento menstrual intenso foram relatados após a primeira, segunda e doses de reforço de Comirnaty e Spikevax”, lê-se no comunicado publicado online esta sexta-feira.

Para esta conclusão, o comité da EMA analisou ensaios clínicos e queixas notificadas no Eudravigilance e determinou que “existe pelo menos uma possibilidade razoável de que a ocorrência de sangramento menstrual intenso esteja causalmente associada a essas vacinas”, no entanto, deixa claro que a evidência que existe até agora revela que os casos parecem “não ser graves e de natureza temporária”.

A EMA adianta ainda que “não há evidências” que indiquem que os distúrbios menstruais relacionados com as vacinas “tenham algum impacto na reprodução e na fertilidade”, reforçando as “garantias” de segurança na vacina até agora defendidas para mulheres que tencionam engravidar, estão grávidas ou a amamentar. 

“O Comité reitera que a totalidade dos dados disponíveis confirma que os benefícios dessas vacinas superam em muito os riscos”, conclui.

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