Falta de professores em Portugal: Universidade de Évora abre novos cursos para formar docentes

7 jul, 13:34
Universidade de Évora

São três novas licenciaturas que arrancam já em setembro e estão preparadas para formar 60 novos professores até 2027, para se tornarem docentes do 3.º ciclo do ensino básico e do ensino secundário. Uma gota de água num oceano de necessidade de rejuvenescimento do corpo docente

A Universidade de Évora arranca em setembro com três novas licenciaturas vocacionadas para dar início à formação de novos professores. A instituição assegura ter capacidade para, em 2027, colocar no mercado de trabalho 60 novos professores provenientes destas novas licenciaturas, aptos para dar aulas no 3.º ciclo do ensino básico e no ensino secundário, nas áreas de Biologia e Geologia, Física e Química, e Matemática.

“Cada licenciatura terá 20 vagas. Não significa que quem entra nestes cursos tenha a obrigatoriedade de seguir um mestrado via ensino no fim deste primeiro ciclo. Pode ir parar ao mundo empresarial, à gestão… mas, na prática, serão 60 licenciados que estarão aptos para fazerem o mestrado via ensino nas suas áreas”, explica à CNN Portugal Clara Grácio, diretora da Escola de Ciências e Tecnologia da Universidade (ECT) de Évora, que irá tutelar as três licenciaturas.

A criação destas novas licenciaturas começou em 2019, mas só agora foram creditadas pela A3ES (Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior). Um “processo muito moroso” que culminou com a validação dos três cursos, “sem restrições”, por seis anos.

“Necessidade nacional” de professores

Os novos cursos da Universidade de Évora surgem de uma carência de recursos humanos na área do ensino em Portugal. Uma gota de água num oceano de necessidade de rejuvenescimento do corpo docente, que torna “urgente” que estas licenciaturas arranquem, assim como outras que estejam para aprovação.

“Há uma necessidade nacional de formação de professores. É evidente e já foi constatada. A nossa Universidade não podia ser alheia a esta realidade. Tinha a responsabilidade, como universidade pública, de formar professores nestas áreas. São as três áreas das ciências onde a falta de professores se está a agravar mais”, evidencia a responsável da ECT.

“A falta de professores é uma situação crítica no nosso país e vai agravar-se nos próximos anos. A emergência da falta de professores, no curto e médio prazo, é real”, corrobora o professor João Rabaça, responsável pelo departamento de Biologia da Universidade de Évora.

No início deste ano, Alindo Ferreira, diretor do agrupamento de escolas do Cego do Maio, no Porto, previa, em declarações à Agência Lusa, a aposentação de mais 2.826 professores durante todo o ano de 2022. O professor tem acompanhado a evolução das aposentações dos professores e os números estimados apontam para um aumento muito significativo face a 2018, ano em que se reformaram 669 professores. Em 2023, Arlindo Ferreira aponta para mais 3.515 professores reformados.

Corpo docente envelhecido e pronto para a reforma

Um problema que afeta o país inteiro de forma transversal. Contudo, os maiores problemas, ainda de acordo com Arlindo Ferreira, situam-se nas regiões abaixo de Santarém, com Lisboa e Vale do Tejo e Algarve a liderarem a lista das regiões com maior perda de docentes para a reforma.

Segundo o “Estudo de diagnóstico de necessidades docentes de 2021 a 2030”, levado a cabo por investigadores da Universidade Nova de Lisboa, apresentado em novembro de 2021, 40% dos 120 mil professores que estavam a dar aulas em 2018/19 deverão reformar-se até 2030.Serão necessários, assim, cerca de 34.500 novos docentes. O estudo dá ainda conta de que se formaram 1.567 em 2021, mas as necessidades de recrutamento futuras apontam para 3.425 por ano em média, com tendência para aumentar, atingindo 4.107 novos docentes em 2030/2031. Constata-se assim que se formam anualmente menos da metade dos professores necessários.

De acordo com o mesmo trabalho,coordenado por Luís Catela Nunes, a saída de professores do sistema será mais acentuada no pré-escolar (61% de aposentações até 2030), seguida pelo 2.° ciclo do ensino básico (46%). Por regiões, a maior queda no número de professores no ativo vai registar-se no Centro e terá dimensão no Algarve.

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