Zelensky garante que não tem medo de se encontrar com Putin: “Esta guerra pode ser interrompida por quem a começou”

CNN Portugal , MJC
23 abr, 19:44

Na sua primeira conferência de imprensa desde que a guerra começou, o presidente ucraniana reafirma a sua disponibilidade para se encontrar com o presidente russo. E deixa a ameaça: se a Rússia avançar com "pseudo-referendos" nas regiões ocupadas, Kiev abandonará as negociações

O presidente Volodymyr Zelensky afirmou este sábado que Kiev irá cessar as negociações de paz se Moscovo matar os ucranianos que resistem na cidade de Mariupol e avançar com “pseudo-referendos” para criar “pseudo-repúblicas” nas regiões ocupadas pelas tropas russas.

“Se nosso povo for morto em Mariupol, se eles anunciarem um pseudo-referendo nas novas pseudo-repúblicas, a Ucrânia não participará de nenhum processo de negociação”, disse Zelensky na sua primeira-conferência desde o início da guerra, numa estasção de metro, em Kiev, na qual durante cerca de duas horas respondeu em ucraniano a perguntas colocadas por jornalistas de diversos países.

O líder ucraniano considera que avançar com um referendo “não será útil para a solução diplomática da situação”. “Esse será, definitivamente, um passo errado da Rússia. Será a prova de que tudo antes disso, todas as reuniões dos grupos diplomáticos, tudo isso era apenas ficção e teatro político, aliás, com atores muito maus.”

Zelensky garante que não tem medo de se encontrar com Putin

Zelensky insiste que está nas mãos do presidente russo, Vladimir Putin, pôr fim à guerra e afirma que está disponível para se encontrar com ele: “Desde o início, insisto em ter negociações com o líder da Federação Russa porque considero que os mediadores não têm o efeito desejado. “Esta guerra pode ser interrompida por quem a começou”.

"Quanto ao encontro com o presidente da Rússia, sim, eu gostaria de começar a pôr fim à guerra. Existe uma via diplomática e existe a via militar. Qualquer pessoa sensata escolhe sempre a via diplomática porque sabe que, por muito difícil que seja, pode impedir as mortes de milhares, de dezenas de milhares de pessoas."

Embora Zelensky afirme que "não tem medo" de se encontrar com Putin, reconhece que é difícil confiar no que a Rússia diz: "Todo mundo vê que o que a Rússia diz, mas o que eles dizem não coincide com as suas ações". 

“Não tenho medo de me encontrar com o presidente, ou de eventuais tentativas de assassínio”, disse. “Não tenho o direito de ter medo porque o nosso povo mostrou que não tem medo de nada. As pessoas estavam a parar os tanques com as próprias mãos.”

"Eles mataram um bebé de três meses"

Da visita de António Guterres, secretário-geral da ONU, à Ucrânia, Zelensky espera total apoio, pois considera que o país tem toda a razão do seu lado e quer mostrar-lhe as cidades devastadas. No entanto, gostaria que Guterres visitasse primeiro a Ucrânia e só depois a Rússia.

"Quando o secretário-geral da ONU chegar, se tiver tempo, vamos mostrar-lhe as nossas cidades, onde as pessoas ucranianas foram mortas. É muito importante perceber o que se passa aqui para elaborar um ponto de vista sobre a situação. Chegar a Kiev é muito pouco", acrescentou o Presidente da Ucrânia.

Sobre o ataque a Odessa, ocorrido este sábado, Zelensky revelou que foram sete os mísseis que atingiram a cidade e mostrou a sua tristeza: “Um bebé de três meses morreu”, disse. “Eles mataram um bebê de três meses. A guerra começou quando este bebé tinha apenas um mês de idade. Conseguem sequer imaginar o que está a acontecer aqui? Eles são bastardos. Apenas bastardos. Não tenho outras palavras para usar neste contexto. Eles são apenas bastardos", desabafou.

Zelensky anunciou ainda que se vai encontrar amanhã, em Kiev, com o secretário de estado Antony Blinken e o secretário da defesa dos EUA Lloyd Austin. Disse ainda que espera que, "quando a segurança permitir, que o presidente dos Estados Unidos venha conversar connosco".

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