União Europeia condena ataque em Kramatorsk: "Não deve haver impunidade para os crimes de guerra"

Agência Lusa , AM
9 abr, 11:59

UE condenou o "bombardeamento brutal e indiscriminado de civis inocentes, incluindo de muitas crianças” que fugiam do terror dos ataques russos nesta localidade na região de Donetsk, leste da Ucrânia, e a proibição de 15 ONG pelo Ministério da Justiça russo, incluindo a Human Rights Watch e a Amnistia Internacional, que já disseram que vão continuar ativas na Rússia

A União Europeia afirmou-se hoje "profundamente consternada" com o ataque russo contra a estação de comboios da cidade ucraniana de Kramatorsk, que matou 52 pessoas, e disse que os responsáveis por este “crime de guerra” devem “prestar contas”.

"Não deve haver impunidade para os crimes de guerra. A UE apoia medidas para garantir a prestação de contas pelas violações dos direitos humanos e do direito internacional humanitário”, sublinhou em comunicado um porta-voz do Serviço Europeu de Ação Externa.

A UE condenou o "bombardeamento brutal e indiscriminado de civis inocentes, incluindo de muitas crianças” que fugiam do terror dos ataques russos nesta localidade na região de Donetsk, leste da Ucrânia. Segundo as autoridades ucranianas, no ataque morreram 52 pessoas, incluindo oito crianças, e cerca de cem pessoas ficaram feridas, algumas com gravidade.

O comunicado foi publicado depois de a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, e do alto representante da UE para os Asuntos Externos, Josep Borrell, visitarem a Ucrânia e se deslocarem, entre outros locais, à cidade de Bucha, onde a retirada das tropas russas permitiu descobrir, na semana passada, a matança de civis ucranianos, alguns manietados e com sinais de tortura.

“As atrocidades cometidas pelas forças russas em Bucha, Borodyanka e outras cidades e povoações recentemente libertadas pelo exército ucraniano da ocupação russa e o brutal ataque à estação de comboios de Kramatorsk, fazem parte das deploráveis táticas de destruição do Kremlin", continuou o porta-voz.

As autoridades encontraram já na região de Kiev, nas cidades de Bucha, Borodyanka e Irpin, mais de 400 corpos de pessoas assassinadas.

“As tentativas flagrantes de ocultar a responsabilidade da Rússia neste e noutros delitos, através da desinformação e da manipulação dos media, são inaceitáveis”, apontou a UE.

UE condena proibição de organizações de direitos humanos na Rússia

A UE condenou ainda a proibição de 15 organizações não-governamentais (ONG) pelo Ministério da Justiça russo, incluindo a Human Rights Watch e a Amnistia Internacional, que já disseram que vão continuar ativas na Rússia.

"A União Europeia deplora a decisão do Ministério da Justiça da Rússia de revogar a licença de quinze organizações amplamente reconhecidas", afirmou um porta-voz do Serviço Europeu de Ação Exterior em comunicado.

A UE salienta que "nada na atividade destas organizações, focadas na proteção dos direitos e liberdades dos cidadãos, justifica esta decisão", considerando que se trata de uma ação cínica do Kremlin, que quer "continuar a negar à população russa a sua liberdade de expressão e pensamento".

"É mais um exemplo da repressão interna que acompanha a agressão militar ilegal, injustificada e não provocada da Rússia contra a Ucrânia", referiu a UE.

O ministério russo alegou "violação da legislação atual" por parte das 15 organizações.

Quer a Amnistia Internacional quer a Human Rights Watch associaram a decisão de Moscovo com a guerra na Ucrânia, afirmando que se sucedem as tentativas de calar vozes críticas em relação à invasão russa, desde logo com a imposição de penas de prisão até 15 anos a quem protestar contra o que o Kremlin chama de "operação militar especial".

"As autoridades estão muito enganadas se acham que ao fechar o nosso escritório de Moscovo vão conseguir impedir o nosso trabalho a documentar e expor as violações de direitos humanos", afirmou a secretária-geral da Amnistia Internacional, Agnes Callamard.

O diretor da Human Rights Watch, Kenneth Roth, lembrou que a organização já funciona na Rússia "desde os tempos da União Soviética e continuará a fazê-lo".

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.626 civis, incluindo 132 crianças, e feriu 2.267, entre os quais 197 menores, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra já causou um número indeterminado de baixas militares e a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, das quais 4,3 milhões para os países vizinhos.

Esta é a pior crise de refugiados na Europa desde a II Guerra Mundial (1939-1945) e as Nações Unidas calculam que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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