Uma carta que nunca deveria ter sido escrita: "Desejo-te boa sorte no céu", escreveu um menino de nove anos para a mãe morta na guerra

CNN Portugal , DCT
12 abr, 21:00
Sergiy Kyslytsya, embaixador da Ucrânia nas Nações Unidas, no Conselho de Segurança da ONU que decorreu na segunda-feira, dia 11 de abril. (UNTV via AP)

Na reunião do Conselho de Segurança da ONU que se realizou esta segunda-feira, o embaixador ucraniano leu algumas cartas redigidas por crianças, mães e soldados ucranianos

“Mãe, esta carta é o meu presente”. Esta carta nunca chegou a ser lida pelo destinatário, a mãe de um menino de nove anos que morreu a tentar fugir da escalada da guerra que assola a Ucrânia desde o dia 24 de fevereiro.

A missiva foi escrita a propósito do Dia da Mãe, celebrado na Ucrânia a 8 de março e com grande simbolismo no país, e foi lida esta segunda-feira na reunião do Conselho de Segurança da ONU por Sergiy Kyslytsya, embaixador da Ucrânia nas Nações Unidas.

“Obrigado pelos melhores nove anos da minha vida, muito obrigado pela minha infância”, escreveu a criança na carta. A criança, conta o El Mundo, é da região de Hostomel e a mãe morreu após um ataque russo enquanto tentava fugir. O menor continuou no carro onde circulavam, tendo sido depois resgatado por vizinhos e levado para um esconderijo.

“Eu nunca te vou esquecer. Desejo-te boa sorte no céu. Desejo que chegues ao paraíso. Vou tentar comportar-me bem para chegar ao paraíso também”, continua a carta, que foi mostrada no Conselho de Segurança da ONU ao lado de tantas outras escritas por crianças, mães e soldados ucranianos que têm visto o seu país destruído e as suas famílias separadas à boleia da invasão russa. Sergiy Kyslytsya falou de todas elas e disse que são cartas que “não deveriam ser escritas”, pois são o significado de que “algo de terrivelmente errado” aconteceu. “Inclusive aqui nas Nações Unidas”, frisou o embaixador ucraniano.

Para Sergiy Kyslytsya, estas cartas são o espelho de que “o mecanismo para manter a paz e a segurança internacionais” da ONU “não estão a funcionar corretamente” e que ambos devem ser “concertados”.

E voltou a frisar: “Se não formos capazes de parar o Kremlin, mais e mais crianças ficarão órfãs. Mais e mais mães perderão os seus filhos”, tal como este menino de nove anos. “És a melhor mãe do mundo”, leu Kyslytsya, dando voz às palavras da criança. 

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