Ucrânia: abertas 5.600 investigações por crimes de guerra cometidos pela Rússia

Agência Lusa , AM - notícia atualizada às 15:44
10 abr, 14:53

Procuradora-geral da Ucrânia disse ainda que foram identificados 500 criminosos de guerra russos e que Vladimir Putin, "o maior criminoso de guerra do século XXI", beneficia de alguma imunidade devido ao seu cargo

A Ucrânia abriu 5.600 investigações por alegados crimes de guerra cometidos no território, desde o início da invasão russa, disse hoje a procuradora-geral ucraniana Iryna Venediktova .

Em declarações à estação de televisão Sky News, a procuradora considerou o presidente russo Vladimir Putin como "o principal criminoso de guerra do século 21", e afirmou ter identificado 5.600 casos de supostos crimes de guerra, bem como 500 criminosos de guerra russos.

Aludindo ao ataque que teve como alvo a estação de Kramatorsk (leste), no qual 52 civis, incluindo cinco crianças, foram mortos num ataque atribuído a um míssil russo, Iryna Venediktova disse ter "provas" de que a Rússia estava por trás do ataque.

"Absolutamente, é um crime de guerra", disse, ressalvando que “essas pessoas só queriam salvar as suas vidas, queriam sair" da região.

A procuradora-geral da Ucrânia disse ainda que Vladimir Putin, "o maior criminoso de guerra do século XXI", beneficia de alguma imunidade devido ao seu cargo.

Mais de 1.200 corpos descobertos na região de Kiev

A procuradora-geral da Ucrânia Iryna Venediktova anunciou ainda que foram descobertos mais de 1.200 corpos até agora na região de Kiev, parcialmente ocupada há várias semanas por forças russas, não especificando, no entanto, se os corpos descobertos eram exclusivamente de civis.

"Até ao momento, temos 1.222 pessoas mortas apenas na região de Kiev", disse Iryna Venediktova.

Há uma semana, Iryna Venediktova tinha quantificado 410 civis mortos encontrados nos territórios libertados da região de Kiev.

A procuradora admitiu na altura que pudessem existir muitos outros cadáveres que ainda não tinham sido recolhidos e avaliados.

Só na cidade de Bucha, a noroeste de Kiev, que se tornou um símbolo das atrocidades da guerra na Ucrânia, cerca de 300 pessoas foram enterradas em valas comuns, de acordo com um relatório anunciado pelas autoridades ucranianas em 2 de abril.

Na semana passada, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky anunciou a criação de um "mecanismo especial" para "investigar e processar todos os crimes dos ocupantes” do país, acrescentando que este funcionaria com base no "trabalho conjunto de especialistas nacionais e internacionais".

“Este mecanismo ajudará a Ucrânia e o mundo a levar à justiça aqueles que iniciaram ou participaram de alguma forma nesta terrível guerra contra o povo ucraniano e crimes contra o nosso povo”, explicou o chefe de Estado.

Boris "é um grande apoio"

A procuradora agradeceu ainda ao primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que visitou Kiev no sábado como parte de uma viagem inesperada onde se encontrou com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e prometeu novas armas à Ucrânia.

É "realmente um grande apoio para nós", disse Venediktova sobre a visita de Johnson, a primeira de um responsável do G7 à Ucrânia desde o início da invasão.

Na semana passada, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky anunciou a criação de um "mecanismo especial" para "investigar e processar todos os crimes dos ocupantes” do país, acrescentando que o mesmo funcionaria com base no "trabalho conjunto de especialistas nacionais e internacionais".

“Este mecanismo ajudará a Ucrânia e o mundo a levar à justiça aqueles que iniciaram ou participaram de alguma forma nesta terrível guerra contra o povo ucraniano e crimes contra o nosso povo”, explicou o chefe de Estado.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.626 civis, incluindo 132 crianças, e feriu 2.267, entre os quais 197 menores, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra já causou um número indeterminado de baixas militares e a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, das quais 4,4 milhões para os países vizinhos.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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