Erdogan tem um recado para a Suécia e Finlândia: não venham a Ancara, não vale a pena

Cláudia Évora , com Lusa
16 mai, 20:14
Recep Tayyip Erdogan

Como membro da NATO, a Turquia pode vetar a adesão de qualquer outro país à aliança militar e com isso travar todo o processo

O presidente da Turquia mantém braço de ferro. Depois da Finlândia e da Suécia terem anunciado que vão avançar com um pedido formal para passarem a ser membros da NATO, Recep Tayyip Erdogan disse esta segunda-feira que não vai aprova a adesão destes dois países. 

Mas foi mais longe. O chefe de Estado turco disse mesmo que as comitivas dos dois países não precisavam de se dar ao trabalho de viajar até Ancara, conforme tinham anunciado, para discutir as objeções porque não ia mudar de ideias. De acordo com o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, as preocupações devem-se ao receio de ameaças à segurança de Ancara. 

A Turquia criticou ainda os países nórdicos por não aprovarem os seus pedidos de extradição de pessoas que acusa de pertenceram a "organizações terroristas", indicou a agência noticiosa estatal Anadolu. "A Suécia é um centro de incubação de organizações terroristas. Acolhe terroristas. No seu parlamento há deputados que defendem os terroristas. A quem acolhe terroristas não diremos ‘sim’ quando se quiserem juntar à NATO", declarou Erdogan.

Fontes do Ministério da Justiça turco dizem que nos últimos cinco anos nenhum dos 33 pedidos de extradição enviados recebeu resposta positiva por parte de Estocolmo ou de Helsínquia.

Segundo a agência estatal, os pedidos de extradição relacionam-se com pessoas procuradas e acusadas de serem membros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) ou do movimento de Fethullah Gülen.

Como membro da NATO, a Turquia pode vetar a adesão de qualquer outro país. Com a entrada da Finlândia e da Suécia ficam de fora da Aliança Atlântica apenas dois países da União Europeia: a Áustria e a Irlanda.

Recep Tayyip Erdogan e Vladimir Putin em 2021 (Kremlin Pool Photo via AP)

Putin não está preocupado, a não ser que...

O presidente russo, Vladimir Putin, assegurou esta segunda-feira que a adesão destes dois países nórdicos não é um problema para a Rússia, mas que passará a sê-lo se incluir a colocação de armas no território desses países.

"A Rússia não tem problemas com esses países, já que a sua entrada na NATO não cria uma ameaça", disse Putin durante a cimeira da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (CSTO, na sigla em inglês).

Contudo, o líder russo acrescentou que, se o alargamento da NATO for acompanhado pela localização de "infraestruturas militares" naqueles países, Moscovo ficará obrigado a "reagir".

"Vamos decidir com base nas ameaças que a NATO nos criar", explicou Putin, referindo-se ao alargamento da Aliança como uma questão “artificial”, que foi criada “no interesse da política externa dos Estados Unidos”.

"A NATO é usada como instrumento de política externa, essencialmente, de um único país, com insistência, maestria e muita agressividade", denunciou o líder russo, considerando que o alargamento da organização militar ocidental “deteriora a já complicada situação internacional no domínio da segurança”.

Putin considera essa expansão como uma ferramenta usada pelos EUA "para controlar a situação internacional do ponto de vista da segurança, para influenciar outras regiões do mundo".

Países nórdicos decretam apoio à Finlândia e à Suécia

Entretanto, os primeiros-ministros da Noruega, da Dinamarca e da Islândia decretaram, num comunicado conjunto, todo o apoio e todos os meios necessários à Finlândia e à Suécia caso venham a ser atacadas. 

"Juntamente com a Dinamarca e a Islândia, a Noruega está pronta para apoiar os vizinhos nórdicos com todos os meios necessários caso sejam vítimas de uma agressão no seu território antes de se tornarem membros da NATO", disse Jonas Gahr Støre, primeiro-ministro da Noruega. 

Após a decisão da Finlândia no domingo, a Suécia oficializou esta segunda-feira a sua candidatura. A unanimidade e a ratificação parlamentar pelos 30 Estados-membros são necessárias para permitir a adesão de novos países.

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