Incidentes com “atirador ativo” aumentaram mais de 50% no último ano, revela relatório do FBI

CNN , Eric Levenson
25 mai, 00:37
Vigília na igreja batista Olivet Missionary. Foto: Jon Cherry/Getty Images

A agência de investigação norte-americana classifica de incidentes com “atirador ativo” todos aqueles em que um ou mais indivíduos envolvem-se ativamente na morte ou tentativa de matar outras pessoas

O número de incidentes com pelo menos um “atirador ativo” aumentou mais de 50% em todo o território norte-americano em 2021 em comparação com 2020, e esses incidentes resultaram num maior número de mortos desde 2017, revelou o FBI num relatório esta segunda-feira, ainda antes de ser conhecida a tragédia da escola primária no Texas, que vitimou pelo 19 pessoas.

O FBI classifica como um tiroteio ativo uma situação em que “um ou mais indivíduos estão ativamente envolvidos na morte ou na tentativa de matar pessoas numa área com uma concentração de pessoas”. O termo “ativo” está relacionado com a natureza do incidente, onde a resposta – dos civis e dos serviços de emergência – ainda pode afetar o seu resultado.

O relatório debruça-se sobre o que se tornou uma parte regular da vida americana moderna: a proliferação de armas de fogo altamente potentes juntamente com a tecnologia que permite às pessoas mostrarem o seu uso em crimes e ataques em tempo real.

Foram identificados 61 incidentes com um agressor ativo em 30 estados em 2021, que resultaram na morte de 103 pessoas e feriram mais de 140, sem contar com os atiradores. Tiroteios classificados como de autodefesa, violência entre gangues e disputas em bairros ou domésticas não entraram nesta contagem, disse o FBI.

O total de vítimas representa um aumento de 48% em relação a 2020, mas foi semelhante ao total de 102 mortes e 156 feridos registados em 2019.

É o maior número de mortes em incidentes com atiradores ativos desde 2017, quando 143 pessoas foram mortas e 591 ficaram feridas, um total marcado pelo tiroteio em massa no festival Route 91 Harvest em Las Vegas.

Doze dos tiroteios ativos do ano passado correspondem aos critérios do governo federal para definir um assassinato em massa, que é caracterizado como um único incidente que resulte em três ou mais mortes.

O incidente mais mortal no ano passado ocorreu na mercearia King Soopers em Boulder, no Colorado, onde 10 pessoas foram mortas.

Esse é um total sombrio que já tinha sido igualado em 2022, na semana passada, quando um atirador de 18 anos supostamente matou 10 pessoas e feriu outras três num supermercado num bairro negro de Buffalo, Nova Iorque, no que a polícia diz ser um crime de ódio racista.

O relatório do FBI também incluiu ainda o tiroteio numa instalação da FedEx em Indiana, no qual oito pessoas foram mortas e sete ficaram feridas; tiroteios contra mulheres asiáticas em vários spas da área de Atlanta; o tiroteio em massa na Oxford High School, em Michigan, que matou quatro estudantes e feriu outros sete; e o tiroteio numa mercearia no Tennessee que deixou um morto e 14 feridos.

O relatório nota uma tendência emergente no ano passado envolvendo "atiradores ativos itinerantes", que descreveu como "atiradores que atiram em vários locais, em um dia ou em vários locais ao longo de vários dias". Cerca de 27 incidentes em 2021 envolveram uma pessoa atirando sobre outras em vários locais, disse o FBI. Os tiroteios no spa de Atlanta foram um exemplo, assim como uma série de oito tiroteios na área de Phoenix em junho passado, que deixaram uma pessoa morta e 12 feridos.

Sobre os atiradores, o FBI destaca que a grande maioria era do sexo masculino, com apenas um dos 61 incidentes registados ter envolvido uma atiradora. Nesse incidente, uma menina de 12 anos supostamente feriu três pessoas numa escola secundário em Idaho antes de ser desarmada por um professor.

Os atiradores tinham entre 12 e 67 anos, com o maior número a concentrar-se na faixa etária entre os 25 e os 34 anos.

Depois dos ataques, 30 atiradores foram detidos pela polícia, 14 foram mortos pelas autoridades, 11 morreram por suicídio, quatro foram mortos por cidadãos armados e um morreu num acidente de automóvel. Um atirador continua em fuga, depois de um tiroteio em um bar em Houston em junho passado.

"O FBI continua firme nos seus esforços para treinar cidadãos particulares, pois é imperativo que os cidadãos entendam os riscos enfrentados e os recursos disponíveis numa situação de atirador ativo", afirmou a agência em comunicado.

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