Banca europeia tem exposição "limitada" ao Credit Suisse - mas BCE está pronto para reforçar liquidez

16 mar 2023, 18:04

Lagarde anunciou um novo aumento de 50 pontos base das taxas de juro diretoras, mas assume que o cenário base está assente em dados que não contemplam as mais recentes tensões a assolar o setor bancário

Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), explicou, esta quinta-feira, que o novo aumento de 50 pontos base das taxas de juro diretoras assenta num cenário base cujos dados vão até 15 de fevereiro, no que toca às perspetivas internacionais e pressupostos técnicos, enquanto as projeções macroeconómicas da Zona Euro vão até 1 de março.

Neste sentido, Lagarde esclarece que as projeções não contemplam as mais recentes tensões a assolar o setor bancário, nomeadamente do Sillicon Valley Bank (SVB) e do Credit Suisse. Contudo, a líder do BCE assegura que os bancos estão hoje muito mais fortes do que em 2008, apresentando posições de capital e liquidez fortes, mas sem por isso descurar a vigilância, pelo que reiterou que o supervisor irá acompanhar de perto a turbulência provocada pelas referidas instituições bancárias.

“[O BCE] está preparado para responder conforme necessário, no sentido de preservar a estabilidade de preços e a estabilidade financeira na Zona Euro”, reiterou Lagarde, que tentou tranquilizar os mercados ao garantir que a política monetária está preparada para reforçar o sistema financeiro com liquidez se necessário.

Também o vice-governador do BCE, Luis de Guindos, foi ao encontro das palavras de Lagarde ao destacar a solidez da banca na Europa. Segundo o vice-governador espanhol, as instituições bancárias da Zona Euro têm uma exposição “limitada” ao Credit Suisse, não havendo concentração. Adicionalmente, de Guindos sublinhou que os ‘buffers’ da banca são de “alta qualidade”, sendo também elevada a qualidade dos seus ativos.

Os efeitos do colapso do Silicon Valley Bank (SVB) têm sido agravados com a queda acentuada das ações do Credit Suisse. Esta quarta-feira, as ações do banco suíço registaram uma queda recorde de 24% para mínimos históricos, estando o Credit Suisse numa situação frágil já há mais de um ano. No entanto, as ações do banco suíço começaram a recuperar esta quinta-feira após o Credit Suisse anunciar que iria contrair um empréstimo de 50 mil milhões de francos suíços (50,7 mil milhões de euros) do banco central da Suíça.

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