PCP considera privatização da TAP "um crime económico”

Agência Lusa , Notícia atualizada às 18:51
7 fev, 14:27
TAP (imagem Getty)

Paulo Raimundo reitera que o partido é "completamente contra essa ideia" e assegura que irão fazer tudo para a contrariar. Bloco de Esquerda junta-se às críticas e fala em decisão que parece ter sido "tomada em cima do joelho"

O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, considerou, esta terça-feira, em Setúbal, que a privatização da TAP é “um crime económico”, na sequência da revelação do ministro das Finanças de que o processo irá em breve a Conselho de Ministros.

“Nós somos completamente contra essa ideia [da privatização da TAP]. É um erro que, a concretizar-se, será um crime económico. E nós faremos tudo para contrariar essa ideia”, disse Paulo Raimundo.

“A TAP precisa de ser uma empresa pública que responda às necessidades do país, mas uma empresa pública com critérios de gestão pública. E não uma empresa pública com critérios de gestão privada. Foram esses critérios de gestão privada que permitiram esta comoção nacional - desculpem lá o termo - sobre os 500.000 euros de indemnização, sobre os não sei quantos milhões de euros de bónus, sobre as indemnizações anteriores, que ainda não são conhecidas”, acrescentou o líder comunista.

Paulo Raimundo, que falava aos jornalistas durante uma visita à Associação Cristã da Mocidade (ACM) de Setúbal, uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) que apoia cerca de 200 jovens e onde foi animador cultural quando também ainda era jovem, lembrou também que o anúncio da privatização da TAP já tem 20 anos.

“Há 20 anos que andamos nisto. Há 20 anos que uma empresa pública como a TAP - que é só a maior exportadora nacional e uma das mais importantes empresas estratégicas do país - tem tido critérios de gestão privada, exatamente para esse objetivo que se pretende [privatização]”, frisou Paulo Raimundo.

Questionado sobre a investigação do Ministério Público por suspeitas de corrupção na compra de aviões da TAP pelas anteriores administrações da empresa, Paulo Raimundo disse que se a comissão de inquérito da TAP tivesse uma abrangência maior, como defendia o PCP, também poderia ajudar a dar respostas a esta questão.

“Propusemos que a comissão de inquérito fosse alargada a todo o processo de privatização. Houve quem achasse que não valia a pena”, disse Paulo Raimundo, lamentando que BE e PS tivessem inviabilizado essa possibilidade.

BE fala em decisão "tomada em cima do joelho"

O líder parlamentar do BE considerou que a reprivatização da TAP “parece tomada em cima do joelho” e contra o que o Governo já defendeu, criticando a sua entrega a privados após ter sido salva com dinheiro público.

No encerramento das Jornadas Parlamentares do BE, que terminaram em Aveiro, esta terça-feira, Pedro Filipe Soares foi questionado sobre os recentes desenvolvimentos em relação à TAP, depois de o ministro das Finanças, Fernando Medina, ter revelado que o processo de privatização da companhia aérea TAP irá "em breve" ao Conselho de Ministros.

“Esta decisão de reprivatização parece tomada em cima do joelho, sem qualquer tipo de justificação, sem qualquer tipo de critério, contra tudo o que foi defendido pelo Governo e apenas com um propósito, que é uma empresa que foi salva com dinheiro público, que agora começa a dar lucros, ser entregue a privados para os privados lucrarem com ela”, criticou.

Segundo o líder parlamentar do BE, esta é uma situação semelhante ao que aconteceu com a banca, quando o dinheiro dos contribuintes foi usado “para limpar os buracos dos privados e depois entregaram novamente aos privados para lucrar”.

“Estamos a ver agora isso com a TAP, com a destruição deste vetor estratégico da empresa e novamente com a entrega a privados depois do dinheiro público ter sido usado para salvaguardar os destinos da empresa. É inaceitável e inconcebível”, condenou.

Na análise de Pedro Filipe Soares, há dois tópicos que “aparentemente o PS quer gerir em paralelo ou de forma articulada” com a comissão de inquérito sobre a companhia aérea e que os bloquistas, proponentes deste inquérito, querem “dissociar plenamente”.

“Por um lado, a Inspeção-Geral de Finanças e a investigação que está a fazer não tem a ver com a comissão de inquérito. (…) Outra matéria que também para nós não é relacionada, mas que percebemos que o PS o quer relacionar é a privatização da TAP”, disse.

O bloquista reiterou as críticas a esta privatização, recordando que o primeiro-ministro, António Costa, disse que esta “era uma empresa estratégica”.

“Disse-o em 2016, 2017, quando fez o processo de nacionalização parcial da empresa, reafirmou-o quando, em 2020, fez o processo de nacionalização total da empresa. É por nós incompreensível que, em pouco mais de dois anos, se mude de forma tão drástica de opinião porque nós continuamos a considerar a TAP estratégica no que significa para a economia nacional e no que significa para o acesso ao país”, acrescentou.

Pedro Filipe Soares assegurou que o partido vai lutar contra a privatização da empresa, mas reiterou que a comissão de inquérito não é o instrumento para o fazer.

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