Frente Cívica acusa Governo de não escrutinar currículos de governantes

Agência Lusa , AM
28 dez 2022, 11:50
TAP (imagem Getty)

João Paulo Batalha acusou ainda o primeiro-ministro de “não aprender nada” e de “desistir de ter mão nas suas remodelações" no Governo]

A associação Frente Cívica considerou “inevitável” a demissão da secretária de Estado do Tesouro, na sequência de uma polémica indemnização da TAP, e acusou o Governo de não escrutinar currículos e de “desistir de ter mão” nas remodelações governamentais.

“A demissão era inevitável”, afirmou em declarações à Lusa João Paulo Batalha, vice-presidente daquele movimento de cidadãos, explicando que tal inevitabilidade acontece a partir do momento em que o ministro [das Finanças] “retira confiança na política de condução do negócio que [Alexandra Reis] fez com a TAP”, e que resultou numa indemnização de 500 mil euros pela sua saída.

O ministro das Finanças, Fernando Medina, demitiu na terça-feira a secretária de Estado do Tesouro, uma baixa no Governo que acontece a menos de um mês de Alexandra Reis ter tomado posse, no âmbito de uma remodelação governamental iniciada com a saída do ex-secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, Miguel Alves, ex-presidente da Câmara de Caminha, agora investigado pelo Ministério Público a propósito da celebração de um contrato para construção de um pavilhão multiusos em Caminha.

“Na sequência da saída de Miguel Alves, que levou a uma remodelação governamental, por que não houve uma verificação do seu currículo? Parece que o Governo não aprendeu nada”, afirmou o vice-presidente da Frente Cívica, em declarações à agência Lusa.

João Paulo Batalha acusou ainda o primeiro-ministro, António Costa, de “não aprender nada” e de “desistir de ter mão nas suas remodelações [no Governo] e de fazer um escrutínio” dos governantes que chama para o seu executivo.

Quanto a Alexandra Reis, a sua saída do Governo, segundo a Frente Cívica, não responde a "várias questões", nomeadamente sobre a indemnização que recebeu da TAP, respostas essas que o movimento exige sejam dadas aos contribuintes, pois são quem paga as injeções de dinheiro na companhia aérea.

“Já se percebeu que houve incompatibilidades com a CEO da TAP [Christine Ourmières-Widener]. Mas se é uma incompatibilidade pessoal ou relativa à estratégia da empresa sobre o resgate, tem de ser conhecimento do contribuinte, que está a pagar e tem de saber se a nomeação foi uma compensação”, acrescentou.

Alexandra Reis, que tomou posse como secretária de Estado do Tesouro na última remodelação do Governo, ingressou na TAP em setembro de 2017 e três anos depois foi nomeada administradora da companhia aérea.

A sua saída antecipada da TAP, em fevereiro, quando faltavam dois anos para terminar funções na transportadora aérea, deu lugar a uma indemnização de meio milhão de euros, noticiou no sábado o Correio da Manhã, tendo em junho sido nomeada pelo Governo para a presidência da Navegação Aérea de Portugal (NAV) e, no final do ano, escolhida para secretária de Estado do Tesouro.

“Continuamos sem saber as razões da sua saída TAP”, reforçou João Paulo Batalha, concluindo que, apesar da demissão de Alexandra Reis, “as questões estão por resolver”.

Depois de pedidos de esclarecimento à TAP, dos ministros das Finanças e das Infraestruturas, e de o próprio primeiro-ministro, António Costa, ter admitido que desconhecia os antecedentes de Alexandra Reis, a demissão foi anunciada na terça-feira à noite pelo gabinete de Fernando Medina.

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