Onze aviões militares chineses atravessam Estreito de Taiwan

14 ago, 11:25

Para além disto, seis embarcações e 22 aviões das forças armadas chinesas foram detetadas "em redor da região circundante" da ilha. Movimentações militares ocorreram horas antes de uma delegação do Congresso dos Estados Unidos da América aterrar em Taipé

Onze aviões militares chineses atravessaram o Estreito de Taiwan ou chegaram mesmo a entrar na sua zona de defesa aérea, avisou este domingo o Ministério da Defesa de Taipé. Os movimentos das aeronaves foram detetados às 17:00, horário local (cerca das 10:00 horas em Portugal Continental).

 

Para além disto, seis embarcações e 22 aviões das forças armadas chinesas foram detetadas "em redor da região circundante" da ilha. Os militares de Taiwan estão a "monitorizar" a situação e "responderam a estas movimentações destacando caças militares, embarcações navais, e sistemas de mísseis terrestres".

O sobrevoo do Estreito e o cruzamento da zona de defesa aérea aconteceram horas antes de uma delegação do Congresso dos Estados Unidos da América aterrar em Taipé, segundo disse fonte governamental citada pela AFP, acrescentado que a visita se vai prolongar até segunda-feira.

 

 

A chegada da delegação de Washington faz parte de uma tour alargada na região do Indo-Pacífico e, em Taiwan, é esperado que os oficiais discutam as relações entre os Estados Unidos e a ilha, tal como melhorias à cadeia de abastecimento entre os dois países.

As movimentações militares ocorrem também num momento em que Pequim mantém as suas atividades militares perto da ilha reivindicada por Xi Jinping. No sábado, treze aviões da força aérea chinesa também cruzarem a linha mediana do Estreito, o que levou Ministério dos Negócios Estrangeiros do país a emitir um comunicado que acusa a China de “intimidação militar e económica não provocada”.

Perante os desenvolvimentos da crise em Taiwan, as autoridades chinesas vieram já anunciar que estão a preparar uma viagem do presidente Xi Jinping ao sudeste asiático, onde deverá encontrar-se presencialmente com o presidente norte-americano, Joe Biden. Esta será a primeira viagem do líder chinês ao estrangeiro desde que começou a pandemia.

Já num comício este sábado no sul de Taiwan, com as eleições de novembro no horizonte, a presidente Tsai Ing-wen disse que a sua população não terá apenas de ter atenção aos candidatos rivais, mas "também à pressão da China". “Os taiwaneses são muito entusiasmados e amam a liberdade e a democracia, muitos bons amigos internacionais vieram a Taiwan para nos apoiar. Isso é normal e bom, mas a China ameaça e intimida Taiwan”, disse Tsai, que detém o cargo desde 2016. “No entanto, gostaria de garantir a todos que o nosso governo e os militares estão preparados e definitivamente cuidarei de Taiwan”.

A China considera Taiwan uma província rebelde, desde que os nacionalistas do Kuomintang se retiraram para lá, em 1949, depois de perderem a guerra civil contra os comunistas.

O governo chinês impôs também sanções a Nancy Pelosi e suspendeu o diálogo com Washington em áreas-chave, como a defesa e mudanças climáticas, em retaliação à visita da presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos a Taiwan em 3 de agosto. Após a visita de Pelosi, Pequim anunciou manobras militares de uma intensidade inédita em várias décadas ao redor da ilha, que duraram quase uma semana, incluindo o bloqueio do espaço aéreo e marítimo em seis áreas da costa de Taiwan.

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